Com o título acima, em artigo publicado na revista Carta Capitasl, o diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, explica as razões políticas pelas quais o chamado mensalão ressurgiu com tanto espaço nas últimas semanas no noticiário da mídia. "Com a regularidade das marés, o mensalão reaparece a cada vez que falta assunto à nossa grande imprensa", começa Coimbra.
O articulista lembra que o processo a que respondemos no Supremo Tribunal Federal (STF) ficou praticamente esquecido pela oposição na campanha eleitoral do ano passado e explica porque: "embora nenhum dos escândalos a envolver políticos do PSDB e do DEM tivesse a dramaticidade do que aconteceu em 2005 com o PT, o passado de ambos era vulnerável. Melhor não mexer em vespeiros".
"Mas, a principal razão do mensalão não ter sido assunto em 2010 - analisa o autor do texto - são as pesquisas de opinião e o pragmatismo que ensejam. Tucanos e demistas sabiam que o tema é de baixo impacto. Que não dá votos.Isso havia ficado claro ainda em 2006, mais exatamente no início do ano. Foi quando todos os levantamentos de intenção de voto mostraram que Lula voltara a crescer, depois de ter estado em baixa tão profunda, no fim do ano anterior, que Serra o suplantava nos cenários de 2º turno".
Tema desafia imaginação literária
"Neste ano, o sinal do que estava por vir foi dado por matérias puramente especulativas, que discutiam, em manchete, temores de hipotéticas "manobras" para retardar a decisão do Supremo. De lá para cá, foi uma atrás da outra, reaquecendo conteúdos ou recontando velhas hiistórias", registra o articulista.
Realmente, a despeito de toda a campanha contra, movida permanentemente pela mídia, o PT, partido dos presidentes Lula e Dilma Rousseff é o mais votado do país desde 2002 nas sucessivas eleições realizadas desde então. Por isso é que sempre que a imprensa fala do pseudo medo dos petistas quanto ao julgamento no STF prejudicá-los eleitoralmente, eu registro aqui: já foram julgados e reiteradas vezes têm sido aprovados pelos eleitores.
"O fato - prossegue o Marcos Coimbra - é que a vasta maioria da população "perdoou" Lula e uma parcela muito expressiva permaneceu (ou logo voltou a ser) petista, apesar do trauma. Ainda em 2008, o PT ultrapassou a marca de mais de 30% de simpatizantes no eleitorado, cerca de três vezes a soma dos partidos de oposição".
"Hoje (o mensalão), é um tema que desafia a imaginação literária. Como não há nele nada que não trenha sido repetido milhares de vezes ao longo dos últimos cinco anos, falar do mensalão tornou-se um exercício de adjetivação. Não é fácil dizer sempre a mesma coisa", conclui Marcos Coimbra.
Recomendo aos assinantes de Carta Capital "As novas aventuras do mensalão" na edição de nº 656 da revista. Por enquanto o texto ainda não está disponibilizado ao público em geral.
Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026
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