Em sua análise sobre o PPA apresentado essa semana pelo governador tucano Geraldo Alckmin, o líder do PT na Assembléia Legislativa, deputado Ênio Tatto aponta o maciço crescimento dos investimentos federais no Estado de São Paulo - os repasses da União terão um aumento de 171% e passarão dos atuais R$ 19 bi para R$ 52 bi.
Além disso, o governo estadual prevê um crescimento médio do PIB de 4,5 %. O governador Alckmin, portanto, contará com dinheiro em caixa . Mas, vejam só a contradição: apesar da receita, secretarias importantes terão perdas orçamentárias no planejamento do governador.
Uma breve comparação entre o PPA do ex-governador José Serra - aquele que ele deixou de cumprir mais da metade do programado – com o de Alckmin, feita pelo líder petista, revela, por exemplo, que a Secretaria de Segurança Pública que detinha 8,5% dos recursos, agora terá 7% - uma queda de R$ 10 bi.
Queda do orçamentoprogramado para todas as áreas
Já a Secretaria de Habitação terá uma queda de R$ 1 bi, (passou de 1,13% do PPA 2008/11 para 0,98% agora). Também a do Trabalho, que representava 0,20% no PPA José Serra terá 0,12% no de Alckmin, uma redução de quase R$ 671 milhões. As perdas da Secretaria de Transportes no novo PPA equivalem a R$ 5,5 bis. Já as do Tribunal de Justiça chegam a R$ 7,2 bi e as do Ministério Público, R$ 2,2 bi.
Outra contradição apontada por Tatto é sobre o superávit primário. Se em Brasília, a oposição tucana cobra crescimento do superávit primário, em São Paulo, ele será reduzido, caindo a sua participação de 5,1% para 3,4% da receita esperada. A queda, explica Tatto, representa os R$ 12,3 bi, liberados pela União para reforçar os investimentos e obras.
“Deste modo, a necessidade de financiamento, via empréstimos, cresceu de R$ 8 bilhões para R$ 33 bilhões, um incremento de 232%. Esta deficiência do governo paulista será coberta pela ação do governo federal”, explica o parlamentar.
Leiam, também, a nota acima PPA de Alckmin: "Incompetência, falta de planejamento ou má fé?".