Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

As diferenças entre George Bush e Bill Clinton

Segunda, 05 de Julho de 2004 às 22:31, por: CdB

Assim que Bush assumiu, em janeiro de 2001, muita coisa mudou na Casa Branca, ultrapassando os limites entre Republicanos e Democratas.
A segunda administração Bush é igual à de seu pai. A figura do "presidente" retorna à bolha de isolamento, mesmo dentro do seu "lar branco lar".
Os funcionários que não são do primeiro escalão do governo, mal tem acesso ao presidente, e quando tem, ele está cercado por uma "escolta".
Aliás, segundo dizem as "más línguas da boca pequena" em Washington, essa é uma atitude que irrita todos aqueles que precisam de uma audiência com Bush. Não sendo eles, claro, um dos "quatro vulcanos": Condolezza Rice, Donald Rumsfeld, Collin Powel ou Paul Wolfowitz além do vice-presidente Dick Cheney.
Como relata Richard Clarke, ex- assessor para assuntos de terrorismo dos últimos quatro presidentes dos EUA, em seu livro, "Contra todos os inimigos", lançado recentemente, Bush é um homem de raciocínio direto e quando se concentra, formula questões objetivas, mas sempre exige soluções simples. Uma descrição do problema tipo frase em pára-choque de caminhão, não gostando muito de ficar estudando e analisando os problemas. Enfim, um estilo bem caipira texano de ser. Exatamente como um cawboy quando quer laçar um bezerro.
As informações que ele dispõe são praticamente todas fornecidas oralmente pelos seus assessores graduados, visto que o presidente não é um leitor assíduo e também não costuma perder horas de sono nos especiais jornalísticos da TV. Dorme por volta das 10 horas da noite.
Nesse ponto, a diferença entre ele e Clinton chama a atenção. Clinton tinha a mania de ficar analisando memorandos e relatórios da equipe enquanto assistia às notícias pela televisão. Esse horário freqüentemente ultrapassava a meia-noite.
Para resolver problemas, Clinton analisava, estudava, lia memorandos ou convocava seus assessores para depois tomar uma decisão.
Na questão de política externa, Bush dividiu o globo da seguinte forma: "ou vocês estão conosco, ou estão contra nós".
Uma das queixas feitas por Bin Laden foi a posição do governo Bush na questão do conflito palestino-israelense. No governo Clinton, mesmo que lentamente, havia sempre tentativas e propostas de paz para a região. Foi Clinton que quase resolveu a questão, não fosse a teimosia de Arafat de não aceitar as terras, se estas não incluíssem Jerusalém Oriental. Essa continua sendo a melhor proposta de paz feita nos últimos anos.
Assim que George Bush tomou o poder, congelou o "processo de paz" e paralisou as negociações, além de tomar uma posição pró-israelense sem precedentes entre todos os presidentes desde que Reagan delegou aos EUA à tarefa de proteger Israel.
Provavelmente Clinton teria tentado mais uma vez um acordo entre Sharon e Arafat, teria pressionado um acordo entre Paquistão e Índia, criando uma zona livre do perigo nuclear e teria tentado entender porque muitos muçulmanos perdem a vida tentando matar americanos.
Isso poderia funcionar ou não, mas uma coisa que não faria seria inflamar a opinião pública islâmica e radicalizar mais ainda o seu ódio à América.
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