Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

As chances das mulheres no Oscar

Domingo, 15 de Fevereiro de 2004 às 19:18, por: CdB

Naomi Watts - Como Cristina Peck, a heroína do contundente "21 Gramas" de Alejandro Gonzalez Inarritu, Naomi Watts prova ser a mais eloqüente sofredora dos filmes americanos desde Lillian Gish na era do silêncio: ela é uma órfã da tempestade do século 21.

Quando Cristina perde seu marido e filhas em um acidente, ela perde suas orientações emocionais ao mesmo tempo, rápida e totalmente. Ela se automedica com bebidas e drogas e começa a se afastar de outras pessoas. Muitas das cenas de Watts a mostram solitária e silenciosa, olhando para o nada que seu mundo se tornou.

Esse é um retrato aterrorizante e estranhamente lírico do desespero. O fato de o filme nunca se tornar monótono é um tributo à direção sensível de Gonzalez Inarritu e - especialmente - à imaginação inesgotável de Watts.

A dor de Cristina, apesar de absoluta, parece mudar de textura a cada cena, como uma superfície escura que pega luz diferentemente em diferentes períodos do dia.

O esquema cronologicamente fraturado de "21 Gramas" isenta as performances de um acordo convencional, a progressão inexorável de intensidade dramática que os atores trabalham duro para alcançar.

Watts, portanto, realmente parece se beneficiar do colapso de tempo do filme: as rápidas justaposições de sua personagem pré e pós-desastre revelam uma continuidade de personalidade - a dura verdade de que é possível sobreviver apesar do choque.

Aqui, como em seu filme "Cidade dos Sonhos", de 2001, Naomi Watts exibe uma ausência quase excêntrica de vaidade; ela não tem medo de parecer, em termos comuns, péssima.

Seu rosto tem uma propriedade misteriosa, entretanto: é bonito quando ela está feliz, mas quando ela está péssima, ele também é bonito.

Por Terrence Rafferty

Charlize Theron - A perturbante e fantasticamente perfeita interpretação da serial-killer da Flórida, Aileen Wuornos, por Charlize Theron em "Monster" ilustra o paradoxo inerente a um trabalho sério.

Apesar de toda a exposição emocional que acompanha uma performance memorável, a atuação também é uma forma de disfarce, que sucede a um grau quando o ator desaparece no papel.

Ainda assim, com variantes do método de atuar dominando a tela, a maquiagem e prostética tendem a ser consideradas úteis equipamentos em vez de ferramentas para a descoberta da verdade emocional.

Sem o látex líquido que transformou sua pele cremosa em uma casca cheia de pintas e queimada do sol ou as dentaduras que mudaram o peso de seu rosto das bochechas ao maxilar e transformaram seu sorriso perfeito em um sorriso amarelo, Charlize Theron não poderia ter desaparecido em sua personagem mais facilmente. Grande crédito vai para Toni G, o maquiador que supervisionou sua transformação.

Por mais brilhante que seja, entretanto, o disfarce não importaria muito se Theron não tivesse cavado dentro de si mesma e encontrado as conclusões emocionais para a desesperada moradora de rua que interpretava.

A atriz encontrou uma linguagem corporal perfeita para acompanhar sua aparência. O tom arrogante desenvolvido por ela implica a violência explosiva de Wuornos, mas também sugere uma bravata que revela sua profunda insegurança.

O caminhar de Theron no filme é mais exagerado que o da verdadeira Wuornos exibido no documentário de Nick Broomfield, "Aileen Wuornos: The Selling of a Serial Killer".

Mas ele claramente ajudou a atriz a definir a humanidade de Wuornos junto com sua psicose. Você pode chamar a performance de uma façanha, mas sua consistência e poder também a transformam em um trabalho de arte que transcende a falsidade por trás dele.

Por Stephen Holden

Samantha Morton - Como muitos dos admiradores de Samantha Morton, eu já fiquei impressionado com sua capacidade de encarnar estranhas, inarticuladas e algumas vezes excêntricas personagens: a lavadeira muda de "Poucas e Boas", a pre-cog de "Minority Report", a viciada em "Jesus' Son"

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