Coloca nos devidos termos e lugar, principalmente diante das pressões dos que cobram mais e mais providências ortodoxas, o anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que não são necessárias mais ações do governo para esfriar a economia porque ela já desacelerou em abril e maio.
"As medidas (adotadas) surtiram efeito e não vamos precisar de outras. A economia já caminha para um patamar de mais moderação de crescimento e de crédito"", afirmou com base nos números do desempenho econômico no mês passado e neste. O ministro acerta na mosca, também, quando repete o que deve ser um mantra do governo nos últimos dias em relação a inflação: "o pior já passou".
Para fazer este anúncio e para suas avaliações, além dos números de que dispõe, o ministro apontou exemplos concretos do que afirma, como o recuo nos preços de combustíveis e de alimentos. Mantega analisou, inclusive, a avaliação feita pelo Ministério do Planejamento, que elevou a expectativa de inflação medida pelo IPCA para este ano, de 5% para 5,7%.
Deixou claro que o próprio Banco Central já previa uma inflação de 5,6% para este ano e insistiu que as expectativas do governo apontam para um aumento do custo de vida de "até 6%". Mas, daqui para a frente, ponderou "a inflação está controlada e vai para baixo."
Difícil imaginar que a sensata - inclusive porque baseada em números - análise do ministro venha a calar os catastrofistas que veem recrudescimento da inflação a cada esquina.
Até por ser este o mote para pressionarem por juros mais altos e por mais cortes orçamentários e de gastos no governo para terminarem obtendo mais lucro com a especulação. Mas que é uma boa e precisa análise do ministro, não há dúvidas.
Rio de Janeiro, 03 de Setembro de 2026
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