Já que falei sobre José Serra e seus lapsos de memória sobre as relações de seu governo e de FHC (1995-2002) com o ditador Muamar Khadaffi (nota abaixo), o jornalista Fernando Rodrigues que me perdoe, mas o final deste seu artigo "Gaddafi, Lula e o Brasil" é patético. vale, e muito, pelo histórico que reproduz da visita do ex-presidente brasileiro à Líbia em 2003 que ele cobriu para o Folhão.
O artigo é escrito todo numa linha como se relações diplomáticas não fossem guiadas pela natureza dos governos e sim a golçpes publicitários e de marketing - ele fala que o saldo da viagem foi só a foto do presidente Lula ao lado do ditador Khaddafi. É reduzir muito o significado da visita!
A ser válida a conclusão dele em termos de relações diplomáticas, o ex-presidente FHC não teria recebido um general de Gaddhafi no Brasil (leia a nota acima "No vale tudo, calúnias e distorção histórica") e concedorado o ditador do Peru, Alberto Fujimori, agora na cadeia por corrupção. Nem os Estados Unidos e a União Européia (UE) teriam negociado o fim do embargo/sanções da ONU à Líbia no início deste século.
Como vemos - e o arguto Fernando Rodrigues, com certeza sabe disso - em relações diplomáticas o que contam são os interesses nacionais. E o agradecimento do presidente Lula a Khaddafi pelo apoio antes dele assumir a Presidência da República brasileira não significa concordar ou apoiar o regime de Trípoli e o governo do ainda ditador líbio. Tratava-se de uma visita de chefe de Estado a outro chefe de Estado e não apenas de Governo.
Diplomacia tem nuances mas, punhs de renda à parte, também nela tudo o que a rege e prevalece são os interesses nacionais.
Rio de Janeiro, 10 de Agosto de 2026
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