Após assistir à entrevista coletiva concedida pela ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, nesta sexta-feira, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse não ter sido convencido pelas explicações apresentadas em relação ao dossiê sobre gastos com cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua esposa, Ruth Cardoso. Assim, o parlamentar continua reivindicando seu comparecimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre Cartões Corporativos específica do Senado, que deverá ser criada na terça-feira.
Na sua avaliação, a ministra tentou disfarçar, com uma atitude arrogante, a própria insegurança e esqueceu o essencial: a elaboração do dossiê, o seu vazamento e a tentativa de intimidar a oposição. O senador pelo Amazonas afirmou que, a cada dia, fica mais nítida a "impressão digital" do Palácio do Planalto no dossiê revelado pela imprensa.
- Vão inventando versões, se contradizendo, sobrepondo versões e o cerco vai apertando. É uma lição de democracia para essa gente. O que ela quer é fazer uma suposta investigação comandada por ela, a doutora Erenice [Erenice Alves Guerra, secretária-executiva da Casa Civil] e a doutora Soledad [Maria de La Soledad Bajo Castrillo, chefe de gabinete da Secretaria Executiva da Casa Civil]. Por isso ela não quer comparecer à CPI. Porque na CPI ninguém tem obrigação de obedecê-la e se calar quando ela diz que vai embora - comentou.
Em relação à possibilidade de invasão dos computadores da Casa Civil, aventada pela ministra, Arthur Virgílio considerou grave a admissão de descontrole e desgoverno evidenciadas, para ele, na hipótese. A questão levou o parlamentar a criticar a atuação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a anunciar que vai solicitar ao Senado informações sobre as medidas de proteção adotadas para os computadores do seu gabinete antes que alguém envie mensagens em seu nome para o Palácio do Planalto.
- Ela (Dilma) senta no vazamento e desenvolveu uma teoria tão fantástica que dava um filme do Spielberg. A ministra não agüentou mais de três perguntas diante de 30 jornalistas. Ela suspendeu a entrevista e foi embora - observou.
O senador também estranhou o fato de a ministra Dilma Rousseff afirmar que o vazamento do dossiê pode ser tudo e pode ser nada.
- Como nada? É claro que não é tudo. Ela teme a explicação sobre o papel da Casa Civil. Por isso que eu quero que ela vá à CPI [do Senado], que será lida na terça-feira (8) e instalada até quinta-feira (10) - concluiu.
O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), também distribuiu nota, nesta sexta-feira, reiterando que a leitura do requerimento de instalação da CPI não pode passar da próxima terça-feira. Segundo salientou, esse foi o compromisso público assumido pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, com os líderes do DEM e do PSDB na Casa.
Arthur Virgílio diz que Dilma não convenceu
Sexta, 04 de Abril de 2008 às 16:27, por: CdB