O diretor do Departamento de Atenção Especializada, do Ministério da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que o sucesso do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) depende muito da conscientização da população quanto à doação. Ele considera que a rede de transplantes do país é muito grande, mas mal distribuída, e acaba estrangulada pela falta de doadores.
Segundo Chioro, outro ponto fraco do SNT é a baixa capacidade de funcionários dos centros de transplantes de sensibilizarem as famílias dos doadores e de realizarem a captação dos órgãos. Na área de transplantes de córnea, segunda na fila de espera com 22 mil 531 pacientes, o ministério determinou mudanças de financiamento para incentivar a captação. Anteriormente, apenas eram pagas as córneas efetivamente transplantadas, desestimulando as captações, já que nem todas as córneas recebidas eram utilizadas.
Outra denúncia é apresentada pela presidente da Federação das Associações de Doentes Renais e Transplantados do Brasil, Neide Regina Barriguelli. Ela afirma que muitos doentes estão na fila há 10, 12 anos, sem autorização para o transplante, enquanto outros, que entraram há pouco mais de um ano, cerca de 10% do total, estão aptos a receber o órgão. São os que ela chama de escolhidos pelos próprios médicos, ou por meio de indicação, os que têm plano de saúde, ou os que fizeram exames pré-transplantes em serviços particulares.
As avaliações foram apresentadas nesta sexta-feira, durante o I Fórum de Discussão do Processo Doação - Transplante no Brasil.