Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, envolvido em denúncias de corrupção, ao anunciar sua desfiliação do Democratas nesta quinta-feira, após a informação ser divulgada por integrantes do partido, disse que deixa a legenda para evitar constrangimentos maiores aos parceiros. Arruda disse ainda que não vai concorrer à reeleição nas eleições do ano que vem, como pretendia.
– Para enfrentar os desafios e garantir a conclusão de todas as obras, tomo a difícil decisão de deixar a vida partidária desligando-me do Democratas neste momento. Não disputarei a eleição do ano que vem – afirmou Arruda a jornalistas em sua residência oficial.
Ele comunicou a decisão da desfiliação à cúpula do Democratas na hora do almoço desta quinta, véspera de reunião da sigla que, segundo todas as indicações, levaria à sua expulsão. O senador Antonio Carlos Júnior (BA) considera que a saída foi a melhor decisão.
– Ele seria duplamente derrotado pelo despacho da ministra (do TSE) e pela decisão do partido (se ficasse) – disse, antes do anúncio formal.
A decisão, segundo integrantes do partido, é menos traumática para a sigla do que a expulsão. Mais cedo, um senador da legenda havia afirmado a jornalistas sob a condição do anonimato:
– Ele pediu desfiliação. Acho que ele começou a jogar a toalha – disse.
Com a saída, Arruda fica impedido de disputar a reeleição no ano que vem como desejava. Também não pode concorrer a nenhum outro cargo eletivo. Para isso, seria necessário estar filiado a uma legenda desde outubro, um ano antes das eleições. Filmagens mostraram Arruda recebendo dinheiro de um ex-secretário do DF durante sua campanha eleitoral em 2006, assim como deputados e assessores. O governador, investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, é acusado de envolvimento em pagamento de propina a deputados de sua base aliada, no que ficou sendo chamado de "propinoduto do DEM".