O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, atualmente sem partido), manteve a hegemonia política na Câmara Legislativa Distrital, nesta terça-feira, ao conseguir a eleição do presidente da Casa, o deputado Wilson Lima (PR) como presidente do Legislativo local. Lima recebeu 15 dos 24 votos e venceu o vice-presidente da Casa, Cabo Patrício (PT), lançado pela oposição.
Houve uma abstenção e uma ausência. O novo presidente substituirá o deputado Leonardo Prudente (em-DEM, atualmente sem partido), flagrado com dinheiro de suposta propina no terno e nas meias. Ele foi afastado do cargo pela Justiça e renunciou na última segunda-feira, sem qualquer justificativa.
Prudente se viu pressionado pela base aliada do governador Arruda para entregar a presidência e evitar que o controle das investigações permanecesse com o vice-presidente, o petista Cabo Patrício. Segundo Lima, uma de suas primeiras medidas será recorrer contra a decisão da Justiça de afastar da tramitação dos pedidos de impeachment de Arruda oito parlamentares distritais, todos eles suspeitos de participação no esquema de pagamento de propina.
Após eleito, o novo presidente disse que, se não recorrer, a Casa pode ser acusada de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estabelece o limite de gastos públicos. A Mesa Diretora, no entanto, publicou um ato convocando os suplentes dos distritais afastados. Segundo os novos dirigentes da Casa, há expectativa de que novo despacho da Justiça local impeça a posse dos suplentes.
– Se não recorrermos, vamos ser acusados mais tarde de um crime administrativo. Seremos acusados de não cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal porque não tem previsão orçamentária para pagar esses suplentes – disse Lima.
No cargo
Em mensagem enviada à Câmara Legislativa por conta da abertura dos trabalhos da Casa em 2010, Arruda afirmou que sua única ambição é continuar seu governo e que toda crise é passageira. Desde a deflagração da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, Arruda vive uma crise política há quase 70 dias. Ele, secretários e assessores de governo aparecem em vídeos recebendo suposto dinheiro de propina. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, autor das denúncias do suposto esquema de corrupção. Arruda é também apontado como o chefe do esquema.
Na mensagem, lida pelo secretário de governo, Flávio Giussani, o governador disse que desistiu de pretensões políticas e “sua missão” é encerrar as obras que iniciou no Distrito Federal.
“Minha única ambição é continuar meu governo, ser um administrador, um tocador de obras em tempo integral”, afirma. “Toda crise passa. O que diferencia é como cada pessoa descobre para atravessá-la. Minhas escolhas estão claras, minha opção é pelo trabalho. Optei por me desvincilhar de qualquer amarra partidária e pretensão política”, acrescentou. Com o surgimento das denúncias, Arruda deixou o Democratas. No entanto, o partido já avaliava a possibilidade de expulsar o governador por conta do escândalo.
Depois da menção à crise política, o secretário passou a listar obras e projetos do governo de Arruda. No final, o governador diz ter fé de que chegará até o final de seu governo e que as denúncias “que agridem e massacram, mas que serão esclarecidas a seu tempo e no devido processo legal”, além de citar trecho bíblico do apóstolo São Paulo.