O arrozeiro Paulo César Quartiero, protagonista do movimento pela permanência de não-índios da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, onde fica a Vila Surumu, em Roraima, em entrevista neste sábado, diz saber o que é “melhor” para os índios.
- O pessoal do Conselho Indígena de Roraima (CIR) não tem discurso. Querem voltar a viver da caça e pesca e andar descalço. Mas hoje o índio quer assistir à novela e Big Brother - afirmou o grileiro, ao destacar a importância de promover desenvolvimento econômico na área indígena.
A influência religiosa na vida dos moradores da Raposa Serra do Sol, segundo o arrozeiro, é decisiva. Ele critica os missionários que, segundo afirmou, estariam ligados a ONGs estrangeiras com interesses na área :
- A Igreja Católica quer tomar conta do monopólio indigenista - disse.
Ímpio, Quartiero nega a existência de Deus mas diz admirar os evangélicos:
- Eles cobram lá a porcentagem deles, mas se conseguem fazer com que uma pessoa pare de beber ou não se separe da mulher, já está bom - disse.
Preso por desacato, há pouco mais de uma semana, ele lembrou a prisão bom-humor. Quartiero acusou os policiais federais de chegarem de forma truculenta à Vila Surumu e um delegado acabou ouvindo dele que tinha mau hálito. Sobre o não comparecimento a uma reunião nesta semana entre produtores de arroz e a Polícia Federal, justifica:
- Já fui preso uma vez e não quero virar freguês.