A presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, usou sua maioria parlamentar nesta terça-feira para barrar um pedido de impeachment feito pela oposição, que a acusa de fraude eleitoral e outras irregularidades.
Parlamentares de uma comissão dominada pela situação debateram durante três horas qual dos três pedidos de impeachment deveria ser analisado. A oposição quer que os três pedidos sejam unificados, mas a maioria prefere que só o primeiro caso, mais fraco, seja considerado.
A votação sobre o tema, ainda nesta semana, não deve encerrar a crise política, que já dura meses. A oposição ainda espera reunir no plenário os votos necessários para destituir Arroyo.
- Percebemos afinal que a maioria pode guiar e usar a força bruta, usar a tirania dos números - disse o deputado Roio Golez, ex-assessor de Segurança Nacional de Arroyo e hoje adversário dela.
-Eles podem vencer esta batalha, mas perderem a guerra - disse ele.
De fato, analistas dizem que Arroyo está fragilizada pela sua escassa popularidade e pelas dificuldades econômicas da população, que podem se agravar por causa do plano dela para aumentar os impostos.
A oposição ainda tem a opção de reunir um terço dos votos na Câmara para abrir o processo contra Arroyo, pela acusação de que ela tentou manipular os resultados eleitorais de 2004. O processo seria julgado pelo Senado.
Os líderes oposicionistas, que acusam Arroyo de usar o poder financeiro da Presidência para comprar deputados, dizem estar ganhando terreno, mas ainda aquém dos 79 votos necessários para abrir o processo de impeachment.
Um influente líder cristão disse, segundo a edição de terça-feira do jornal Philippine Daily Inquirer, que Arroyo foi "receptiva" à sua proposta de formar um governo de coalizão, no qual a oposição assumiria 60% dos ministérios até as eleições gerais de 2007.
- Ela está aberta a discutir isso. Já estamos discutindo há algum tempo - disse Mike Velarde, líder do movimento carismático El Shaddai, que reúne milhões de fiéis.