A arrecadação de tributos federais bateu em outubro recorde para o período, impulsionada pela desvalorização do real frente ao dólar e pelo aumento do recolhimento de impostos incidentes sobre o lucro.
Para a Receita Federal do Brasil, que divulgou os dados nesta quarta-feira, um eventual impacto negativo da crise financeira global sobre a arrecadação só deve ser sentido a partir do próximo ano.
- A arrecadação está crescendo de forma saudável e não dá sinais de desaceleração - afirmou o secretário-adjunto da Receita Otacílio Cartaxo. "Os efeitos da crise só afetarão a arrecadação federal a partir de janeiro de 2009."
O governo federal arrecadou 65,493 bilhões de reais em impostos e contribuições em outubro, cifra recorde para o mês. Na comparação com outubro do ano passado, o aumento foi de 12,36%.
- O principal fator que contribuiu para esse resultado foi a variação cambial, com reflexos importantes na arrecadação do Imposto de Importação (II) e do IPI-Vinculado à Importação e do IRPJ/CSLL, referente ao setor de petróleo - afirmou a Receita Federal em nota.
O recolhimento do II cresceu 43,47% frente a outubro de 2007, para 1,897 bilhão de reais. A tributação sobre o setor de petróleo aumentou para 2,505 bilhões de reais, frente a 40 milhões de reais há um ano.
Nos primeiros dez meses de 2008, a arrecadação federal totalizou 576,596 bilhões de reais, 10,33% acima do registrado no mesmo intervalo de 2007.
No período, a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e do Imposto de Renda da Pessoa Física referente a venda de ativos com lucro subiu 24,34%.
Em outubro apenas, o recolhimento desses tributos cresceu 23,29 por cento frente ao mesmo mês de 2007.
Os dados são corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).