Rio de Janeiro, 18 de Janeiro de 2026

Arquivos da ditadura são alvo de debate na Câmara

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias realizou, nesta quarta-feira, uma audiência sobre o destino dos arquivos militares da luta armada no país, durante os conhecidos Anos de Chumbo da ditadura brasileira, instalada por um golpe militar em 1964. (Leia Mais)

Quarta, 18 de Abril de 2007 às 07:45, por: CdB

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias realizou, nesta quarta-feira, uma audiência sobre o destino dos arquivos militares da luta armada no país, durante os conhecidos Anos de Chumbo da ditadura brasileira, instalada por um golpe militar em 1964. O general da reserva Leônidas Pires Gonçalves, ministro do Exército na época em que o livro foi produzido, também foi convidado a participar da reunião, mas não compareceu.

Reportagens publicadas pelo jornal Correio Braziliense revelaram que o Exército produziu, entre 1986 e 1988, um livro secreto sobre os opositores ao regime militar. O Livro Negro do Terrorismo no Brasil nunca foi publicado. O que chama a atenção dos movimentos de defesa dos direitos humanos é que as Forças Armadas negam a existência dos documentos que serviram de base para o livro.

O presidente da comissão, deputado Luiz Couto (PT-PB), afirma que o tema não pode cair no esquecimento.

- Segmentos das Forças Armadas devem indicar onde esses documentos estão. Se foram destruídos, quem deu a ordem? Onde está o certificado que autorizou a destruição? - questionou.

Luiz Couto lembra que os familiares de mortos e desaparecidos no regime militar precisam dessas informações para ajudar na localização de corpos.

- Se há um livro publicado a partir desses dados, os documentos precisam aparecer - disse.

Pedido de busca

Segundo Luiz Couto, a reunião serviu de base para definir que providências a comissão pode tomar em relação ao caso. O deputado Chico Alencar (Psol-RJ), integrante da Comissão de Direitos Humanos, preparou uma solicitação dos originais do material ao Ministério da Defesa. Além de buscar esclarecimentos sobre o livro, a comissão já pediu aos ministros da Defesa e da Casa Civil uma nova busca de documentos que possam esclarecer as circunstâncias do desaparecimento e da morte de opositores ao regime militar.

Estiveram presentes a procuradora do Ministério Público Federal Lívia Nascimento Tinoco, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcello Lavenère Machado, o consultor da Advocacia-Geral da União João Francisco Aguiar Drumond e o jornalista Lucas Figueiredo, autor da reportagem publicada no Correio Braziliense que revelou que o Exército produziu, entre 1986 e 1988, um livro secreto sobre os opositores ao regime militar. O Livro Negro do Terrorismo no Brasil nunca foi publicado.

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