Presidente do Banco Central, Armínio Fraga apresentou nesta sexta-feira, durante o seminário de Economia Bancária e Crédito, promovido pelo Banco Central, em São Paulo, algumas sugestões para o próximo governo. Ele disse que o compulsório bancário poderá ser reduzido, passada a turbulência internacional da economia, o que terá um efeito positivo na redução do custo do crédito. Ele citou também a necessidade de alteração na Lei de Falências, "que tem fechado fábricas sem necessidade." Fraga afirmou ser favorável a uma reavaliação da incidência da CPMF, o que poderia ser conseguido por meio de um maior esforço fiscal. Ele também defendeu a necessidade de uma discussão de riscos jurídicos, de forma a agilizar a execução de garantias nos empréstimos, e exemplificou que quando morava nos Estados Unidos, conseguiu adquirir uma casa pagando 20% à vista e juros de 1,5% acima da taxa básica do Tesouro e prazo de trinta anos. Fraga disse que uma das razões desse sistema funcionar nos Estados Unidos é que lá a Justiça é ágil na devolução da casa para o banco, caso o tomador de crédito deixe de pagar as prestações. No Brasil, esse processo leva muito tempo, o que faz com que os juros cobrados sejam mais altos, pois o risco de inadimplência é embutido no financiamento. "Spread caiu pela metade desde 1998" O presidente do Banco Central disse que o spread (diferença entre a taxa de captação e empréstimos do sistema financeiro) caiu pela metade desde 1998, quando o BC iniciou um trabalho de ajuste no sistema financeiro. Fraga ressaltou que foi um trabalho de equipe e que ele deixa o Banco Central como "um chefe orgulhoso com o que foi executado e com as perspectivas para o futuro." Durante o seminário, foi distribuída a publicação "Economia Bancária e Crédito: Avaliação de três anos do projeto juros e spread bancário", publicada pelo Banco Central do Brasil. Segundo o estudo, o spread médio caiu de 72% em 1998 para o intervalo de 35% e 40%. Fraga disse que durante esse período houve uma série de medidas para reduzir o spread e a mais recente, adotada ontem no Conselho Monetário Nacional, foi a criação da cédula de crédito bancário, que permitirá aos investidores institucionais participarem do sistema, criando uma alternativa para ampliar os prazos dos financiamentos.
Armínio sugere que governo Lula diminua compulsório
Sexta, 20 de Dezembro de 2002 às 09:19, por: CdB