Sucesso de crítica e público na atual temporada teatral do Rio de Janeiro, a peça O dia em que Sam Morreu, do premiado Armazém Companhia de Teatro, em cartaz até 29 de junho no Espaço Armazém, na Fundição Progresso, traz à cena uma realidade absolutamente em transe diante dos olhos da plateia. A começar pelo jogo pesado do cirurgião Benjamin (Otto Jr.), para quem o céu é o limite quando o assunto é poder. Chega até a provocar a invalidez de seu superior como cirurgião para tomar seu lugar.
Até que ponto esse vale-tudo da arte imita a vida? Neste que é o 26º espetáculo realizado pelo Armazém Companhia de Teatro em 27 anos de premiada trajetória (são mais de 20 prêmios na bagagem), a resposta quem dá é o espectador. Para o jovem enfermeiro Samuel (Jopa Moraes) a hora de acabar com tanta falta de ética e abuso de poder é agora. De arma em punho, invade o hospital para enfrentar Benjamin e dar novos rumos à história. História que também conta o dilema da juíza Samantha (Patrícia Selonk) frente à possibilidade de furar a fila para fazer um transplante de coração e salvar sua vida. Esta é a saída encontrada por seu marido, o médico Arthur (Ricardo Martins), homem apaixonado pela esposa que nas horas vagas mantém firme e forte a relação com a garota de programa Sofia (Lisa Eiras), às voltas com o tratamento de Samir (Marcos Martins), um velho palhaço com o Mal de Alzheimer. Como pano de fundo, um inspirada trilha sonora executada pelos atores e pelo diretor musical Ricco Viana embalam a montagem.Depois da temporada no Rio, O dia em que Sam Morreu segue em julho para os festivais de Edimburgo, na Escócia, e Avignon, na França, além de excursionar pelo Brasil no segundo semestre.
Fora do palco o Armazém quer conversar com o público sobre estas e outras relações de poder contemporâneas a partir da temática e da estética do espetáculo O dia em que Sam Morreu. Dada a urgência do momento e do assunto – em junho, por exemplo, completa-se o primeiro aniversário das manifestações nas ruas iniciadas em 2013 , todas as quintas-feiras acontecerão os Diálogos com Sam, conversas após a sessão, sempre mediadas por convidados especiais oriundos de várias áreas do saber com o objetivo de ampliar a reflexão sobre o trabalho em questão.
A abertura acontece nesta quinta-feira, dia 8 de maio, com Tania Brandão pesquisadora de História do Teatro Brasileiro e editora do blog Folias Teatrais, num debate que versa sobre o tema O teatro da identidade líquida. Depois, participam dos debates a gestora cultural Ana Lucia Pardo, profª da UCAM, o professor de filosofia Patrick Pessoa e psiquiatra Sergio Zaidhaft. A peça O dia que Sam Morreu acontece de quinta a domingo às 20h, com ingressos a R$ 40 (é possível ter desconto na página do grupo no Facebook). O Espaço Armazém fica na Fundição Progresso (Rua dos Arcos, 24 – Tel. 21 2210-2190).