A declaração da Coréia do Norte de que possui armas nucleares não significa necessariamente que o país tem um sistema de armas atômicas testado, que possa estar pronto para uso, disseram analistas da área de defesa na quinta-feira.
A Coréia do Norte fez nesta quinta-feira, pela primeira vez, uma declaração de que tem armas nucleares e disse que estava suspendendo sua participação nas negociações multilaterais sobre seu programa nuclear, porque os Estados Unidos estavam endurecendo sua posição.
"Uma coisa é falar que tem a arma, e outra coisa é falar de um sistema completo de armas nucleares", disse Baek Seung-joo, que chefia a pesquisa sobre as Forças Armadas norte-coreanas no Instituto para Análises de Defesa da Coréia do Sul.
A Coréia do Norte já testou mísseis balísticos de curto e médio alcance, mas seu programa de mísseis foi marcado por acidentes, e a precisão das armas foi posta em dúvida.
"É questionável se a Coréia do Norte tem capacidade para montar uma ogiva nuclear confiável", observou Baek.
Gary Samore, diretor de estudos do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos do Reino Unido, disse que os especialistas têm convicção de que a Coréia do Norte tem plutônio suficiente para construir um número pequeno de armas.
Mas ele lembrou que nada foi confirmado em relação aos recursos nucleares da Coréia do Norte.
"A maioria das pessoas da área acredita que a Coréia do Norte é capaz de jogar uma bomba simples, de implosão, através de um míssil com um alcance que poderia atingir Tóquio", disse Samore, acrescentando que ninguém tem certeza se a Coréia do Norte realmente produziu armas nucleares.
"Eles querem que acreditemos que eles são capazes", disse ele numa entrevista por telefone.
Acredita-se que a Coréia do Norte tenha uma ou duas armas nucleares, mas o número poderia superar oito.
Autoridades da Coréia do Sul já disseram que o Norte possui bombas atômicas, mas as opiniões variam sobre sua capacidade de uso.
É muito provável que as armas nucleares norte-coreanas sejam movidas a plutônio, produzido por um reator de 5 megawatts.
Esta semana, autoridades norte-americanas disseram que um enviado do presidente George W. Bush à China transmitiu um recado para os líderes chineses sobre informações que indicam que a Líbia teria obtido hexafluorido de urânio da Coréia do Norte. .
Os EUA afirmam ter provas de que o Norte possui um programa de enriquecimento de urânio. Pyongyang nega.
Analistas afirmam que são necessários vários testes com explosões para determinar a confiabilidade de um sistema atômico, e não há evidências de que a Coréia do Norte tenha conduzido tais testes. O Ministério da Defesa da Coréia do Sul disse na semana passada suspeitar que o Norte tenha feito um teste com explosão, mas não havia provas conclusivas.
Acredita-se que a Coréia do Norte esteja desenvolvendo mísseis capazes de atingir o oeste dos Estados Unidos.