Acossado por uma rebelião que matou dezenas de pessoas e se alastra cada vez mais rapidamente pelo Haiti, o presidente Jean-Bertrand Aristide disse que está 'pronto para morrer" para salvar seu país dos rebeldes. Falando durante funeral de policiais mortos durante a rebelião, Aristide prometeu não renunciar apesar da revolta sangrenta. Um ex-padre que já foi saudado como salvador da democracia haitiana, Aristide é acusado agora de corrupção e de fomentar a violência.
- Estou pronto para dar minha vida se isso for necessário para defender meu país - disse o presidente, em Port-au-Prince, a capital. - Se guerras são caras, a paz pode ser ainda mais - disse ele, que sobreviveu a três tentativas de assassinato e um golpe.
As declarações foram feitas no mesmo dia em que os EUA exortaram seus cidadãos a deixarem o país e que Washington e outros governos preparam o envio de uma equipe para tentar pôr fim de forma negociada à rebelião. A equipe chegará no sábado.
Funcionários dos governos de EUA, França, Canadá, da Caricom (órgão da comunidade do Caribe) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) formarão a equipe. Eles se encontrarão com Aristide e com a oposição para apresentar um plano de acordo.
O Departamento de Estado, entretanto, alertou os cerca de 20 mil cidadãos americanos que vivem no Haiti a deixar o país "enquanto aviões comerciais ainda estão operando".
A rebelião eclodiu no dia 5 de fevereiro na cidade de Gonaives e os rebeldes controlam parte do Norte do país. A oposição é formada por bandos de civis armados, grupos paramilitares e esquadrões da morte outrora desmantelados por Aristide, além de líderes militares que apoiaram o golpe contra o atual presidente.
Aristide diz que está pronto para morrer para salvar o Haiti
Sexta, 20 de Fevereiro de 2004 às 09:21, por: CdB