Os argentinos saíram às ruas com panelas na mão na noite desta terça-feira para protestar contra o aumento dos impostos às exportações do setor agropecuário – o principal braço da economia da Argentina.
As manifestações incluem buzinaços e tomaram as principais praças e esquinas da capital federal, Buenos Aires, além de outros pontos do país, como as províncias de Buenos Aires, Santa Fé, Córdoba, Tucumán e Salta.
Segundo as principais emissoras de televisão da Argentina, como América TV, canal C5N, Canal 9, Cronica e TN (Todo Notícias), os protestos desta terça-feira foram os maiores contra o governo da presidente Cristina Kirchner e da administração anterior, a gestão do seu marido, Néstor Kirchner (2003-2007).
Cristina Kirchner assumiu o governo em dezembro passado, há pouco mais de 100 dias.
Confrontos
As manifestações continuavam na madrugada desta quarta-feira e manifestantes contra e a favor do governo afirmaram que os protestos seriam mantidos pelo menos até o amanhecer. Mas uma chuva forte que caiu de madrugada poderia atrapalhar estes planos.
Pouco antes, uma multidão ocupou também a Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede da Presidência da República. A Praça é conhecida como “tambor nacional”, por costumar estar em sintonia com manifestações do restante do país.
Famílias inteiras tomavam a praça com panelas na mão e cartazes que diziam: “apoio ao campo”. Alguns gritavam: “que se vaya” (‘fora’), contra o governo.
Até que colunas de simpatizantes do governo entraram a pé na praça, provocando correrias entre os demais.
- A Praça é nossa. A Praça não é dos bairros ricos, como Recoleta, que estão fazendo esses panelaços a favor dos que só ganharam nos últimos anos - dizia Luis D’Elia, líder do movimento Federação Terra e Casa (na sigla em português), que apóia o governo.
Houve socos, pontapés e alguns feridos leves. Os que protestavam contra o governo caminharam para outro ponto da cidade.
"Protestos da abundância"
Na TN, um analista da emissora dizia:
- O governo deve começar a se perguntar o que fazer para que isso não seja o início do fim. (...) Existe um Luis D’Elia que está aqui na cidade, mas os protestos estão em várias partes do país e não é possível controlá-los com grupos simpáticos ao governo.
Panelas na mão, mesmo debaixo de chuva, moradores gritavam:
- O povo unido jamais será vencido - em frente à residência presidencial de Olivos, a cerca de uma hora do centro de Buenos Aires.
Mais cedo, Cristina Kirchner tinha criticado o protesto do setor agropecuário contra as medidas do seu governo.
- São protestos da abundância. São os protestos dos setores mais ricos da Argentina.- disse Cristina Kirchner.
Os panelaços, conhecidos na Argentina como “cacerolazos”, marcaram a queda do ex-presidente Fernando de la Rúa em 2001.
Setor agropecuário
Os protestos ganharam força, nesta terça-feira, assim que Cristina Kirchner concluiu o discurso, na Casa Rosada, sede da Presidência da República, criticando a paralisação do setor agropecuário contra as medidas do governo.
- O setor agropecuário foi o que mais registrou rentabilidade desde 2001. Não vou me submeter a nenhum tipo de extorsão - disse.
O discurso da presidente foi mostrado ao vivo pela TV pouco depois que as organizações que representam o setor agropecuário anunciaram que manterão a greve e os tratores nas estradas do país por tempo indeterminado.
A paralisação dos ruralistas – pequenos, médios e grandes – começou há 13 dias e foi intensificada na segunda-feira.
- Nosso protesto é para ver se assim conseguimos uma discussão com esse governo, que não dialoga com ninguém. E se recusa a sentar para discutir com a gente também - afirmou Eduardo Buzzi, pr