Em meio ao luto pela morte de 185 pessoas no incêndio numa discoteca de Buenos Aires os argentinos se mobilizaram em busca de um menino que pode ter sobrevivido à tragédia, já que não se encontra nas relações de pessoas mortas e nem feridas.
"Esperamos um milagre", disse hoje a jornalistas Stella Maris Flores, a avó de Nicolás, de quatro anos, enquanto os canais locais de televisão divulgam insistentemente a foto do menino.
Romina Flores foi com seu filho, Nicolás, ao recital do grupo de rock Callejeros na discoteca República de Cromagnon na quinta-feira passada. Ela chegou ao hospital com vida após o incêndio, mas morreu como conseqüência da fumaça que inalou.
Segundo testemunhas, mãe e filho foram retirados com vida do local em chamas por outros jovens que atuaram como socorristas voluntários e alguns acreditam ter reconhecido o menino entre os sobreviventes nas primeiras imagens divulgadas pela televisão.
Segundo a avó de Nicolás, a busca da família em hospitais da cidade não deu resultado.
Stella Maris Flores afirmou, em declarações ao canal a cabo Todo Noticias, que várias pessoas lhe disseram por telefone que haviam visto ao menino nos braços de uma mulher e que ele gritava, em prantos: "Sou Nico, fiquei sozinho".
"É um pesadelo. Uma mulher me ligou para dizer que Nico estava com ela, que estava bem, mas desligou imediatamente" o telefone, acrescentou, enquanto exibia diante das câmeras uma fotografia de seu neto abraçado a um urso de pelúcia.
Ricardo Farías, o pai do menino, completou 23 anos no domingo passado, mesmo dia em que enterrou sua esposa e teve de verificar se seu filho não estava entre os cadáveres não identificados no instituto médico legal.