Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Argentino teme tragédia igual à da TAM no país

Quarta, 18 de Julho de 2007 às 15:17, por: CdB

O acidente com o avião da TAM, em São Paulo, suscita temores de uma tragédia semelhante no aeroporto local de Buenos Aires (Aeroparque), disse à BBC Brasil o piloto argentino Alejandro López Camelo, secretário de segurança da Associação de Pilotos de Linhas Aéreas (Apla).

Os temores se baseiam em um acidente ocorrido em agosto de 1999, quando, em situação parecida com a que ocorreu com o Airbus 320 da companhia brasileira, um avião da argentina Lapa saiu da pista, atravessou uma avenida movimentada, arrastou carros, bateu numa estação de gás e deixou 65 mortos.

— De lá para cá, nada mudou. A situação até piorou —, disse Camelo, que também é vice-presidente da regional Sul da Federação Internacional de Pilotos (Ifalpa, na sigla em inglês).

Camelo lembra que, com o crescimento econômico recorde na Argentina, aumentou a quantidade de vôos e o trânsito na Avenida Costanera, paralela ao Aeroparque.

Além disso, o governo, afirmou o piloto, não avançou na discussão de medidas como a construção de um túnel para os carros e a transferência de lugar da estação de gás e de um posto de gasolina.

São medidas que, de acordo com Camelo, também deveriam ser adotadas em Congonhas, já que o aeroporto está inserido na área urbana.

Para o vice-presidente regional da Ifalpa, o risco também existe em outros aeroportos de grandes cidades sul-americanas onde não houve planejamento adequado.

— Esse é um problema que pode se repetir em outros aeroportos da América do Sul, onde não há planejamento urbano em torno dos aeroportos que estão nas grandes cidades —, alertou o piloto, que é da Aerolineas Argentinas e voa freqüentemente para o Brasil.

— Congonhas é muito velho, está numa área muito urbanizada e o piloto tem pouca margem para o erro. Guarulhos é diferente, tem outro planejamento, com outras pistas também —, afirmou.

Segundo o piloto, o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, também está em situação “crítica”, mas está melhor do que o de Congonhas porque está rodeado por água. Na sua opinião, falta estratégia em toda a América Latina para que não voltem a ocorrer novas tragédias.

Piñeyro revelou, por exemplo, que um avião da Presidência da Argentina quase se chocou com um avião particular, há duas semanas. As gravações dos pilotos e da torre de controle foram mostradas nas televisões argentinas.

— Eu não posso dizer se o presidente estava ou não naquele avião, mas sim que eles quase bateram —, afirmou.

De acordo com a Força Aérea Argentina, radares alugados, solicitados pelo governo começaram a operar na semana passada, depois que um raio atingiu o sistema argentino.

Na lista das vítimas fatais da tragédia com o avião da TAM, foi confirmado o nome do argentino Alejandro Camozzi, residente no Brasil, como informou à imprensa local o embaixador argentino em Brasília, Juan Pablo Lohle.

A tragédia foi noticiada pelas principais emissoras de rádio e de televisão da Argentina. Estima-se que são realizados, semanalmente, cerca de 200 vôos entre Argentina e Brasil.
 

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