Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Argentina supera Brasil em exportação de jogadores

Depois de mais de dez anos como maior exportador mundial de jogadores de futebol, o Brasil foi superado pela Argentina, segundo um estudo de uma consultoria em marketing esportivo. De acordo com uma pesquisa da Euroamericas, a Argentina vendeu 1.716 jogadores de futebol em 2009, contra 1.443 saídos do Brasil.

Sábado, 18 de Setembro de 2010 às 09:04, por: CdB

Depois de mais de dez anos como maior exportador mundial de jogadores de futebol, o Brasil foi superado pela Argentina, segundo um estudo de uma consultoria em marketing esportivo. De acordo com uma pesquisa da Euroamericas, a Argentina vendeu 1.716 jogadores de futebol em 2009, contra 1.443 saídos do Brasil. O "êxodo de estrelas" teve início em 1995, quando a maior parte das ligas europeias reduziu as restrições no número de estrangeiros em cada time. Desde então, o número de jogadores argentinos comprados no exterior aumentou em 789%. A grande maioria dos jogadores – 81,4% – foi para ligas europeias. O resto foi comprado por mercados considerados emergentes no futebol, como Arábia Saudita e Emirados Árabes. Talentos jovens A consultoria afirma que o resultado do estudo reflete a política dos clubes argentinos de vender jogadores cada vez mais jovens. – Nos últimos cinco anos, notamos que a maioria dos transferidos não chega sequer à primeira divisão argentina. São menores de idade saídos das categorias de base –, disse Gerardo Reyes, diretor da Euroamericas. O caso mais conhecido é o do astro Lionel Messi, vendido ao Barcelona ainda na adolescência. Ele bateu diversos recordes: o mais jovem jogador da liga espanhola, aos 16 anos, e também o mais jovem a marcar um gol no campeonato. A venda de jogadores jovens é polêmica na Argentina. Alguns críticos dizem que isso enfraquece o campeonato nacional argentino. O empresário Ramón Maddoni – responsável por descobrir talentos argentinos como Carlos Tévez, Juan Pablo Sorín e Fernando Gago – acredita que os jogadores nacionais deveriam ter, quase como exigência profissional, pelo menos um ano de experiência na primeira divisão argentina. – Muitos dos jogadores que administrei jogaram uma ou duas temporadas antes de imigrarem, e isso os ajudou muito a se destacarem em ligas tão exigentes como a espanhola e a inglesa –, disse ele. – Não se pode vender um jogador tão jovem antes de ele conhecer primeiro o seu próprio futebol. Para os clubes, muitos deles afundados em dívidas milionárias, as vendas internacionais se transformaram no principal recurso financeiro. – Eles agem por um conceito de 'aqui e agora': se têm uma oferta de um clube estrangeiro, eles não recusam, pois não sabem se em um ou dois anos o jogador valerá o mesmo. Ele pode vir a valer mais ou menos, mas não se pode arriscar –, disse Reyes. Em ligas europeias, a principal receita dos clubes é com direitos de televisão, marketing e com o quadro de sócios. No entanto, os times argentinos dependem da venda dos seus talentos. – Cada ano, as equipes argentinas têm nos seus orçamentos a venda de um jogador, que acaba sendo parte do patrimônio do clube que o descobriu e o comprou no mercado local –, disse Ernesto Cherquis Bialo, porta-voz da Associação Argentina de Futebol (AFA). Nesse tipo de negócio, quase todos saem ganhando – os clubes, os donos do passe, os intermediários e o próprio jogador, que leva 15% do valor da transação. Os clubes que revelaram os craques também embolsam uma parte do dinheiro, assim como a AFA. Em 2009, a associação arrecadou US$ 3,5 milhões só com os 3% que a entidade tem direito. Maddoni ressalta que para o negócio dar certo, é preciso investir muito tempo e trabalho para achar e formar os craques. – Precisamos nos convencer de que é com muito trabalho nas divisões inferiores que realmente se forma jogadores de exportação –, disse o experiente empresário, que trabalha há 35 anos revelando craques.

Tags:
Edições digital e impressa