O presidente do Banco Central da Argentina, Martin Redrado, disse que é importante para o país chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a dívida.
Ele disse não ter informações sobre quando seria feito o acordo, mas afirmou que há boa chance de que o superávit primário argentino, um medidor-chave da sua condição para pagar credores, fique acima da meta.
- Eu não cuido das negociações com o FMI, mas eu acho que é importante chegar a um acordo", afirmou a jornalistas, durante o encontro do BIS, sigla em inglês para Banco de Compensações Internacionais.
A Argentina completou a maior reestruturação mundial de dívida no início de junho, trocando US$ 62,3 bilhões em débitos vencidos por uma dívida nova de US$35,3 bilhões, encerrando assim três anos de inadimplência e diminuindo a dívida total.
O país precisa pagar US$ 2,2 bilhões de dólares para o FMI entre junho e dezembro. Os vencimentos totais no período maio-dezembro, incluindo a detentores de bônus emitidos no mercado argentino e outros empréstimos multilaterais, devem somar US$ 9,8 bilhões de dólares, segundo analistas do banco HSBC.
Especialistas consideram crucial que a Argentina chegue a um acordo para rolar a dívida antes de agosto, mês em que precisa pagar cerca de US$2,8 bilhões de dólares. Redrado afirmou que o superávit ficou acima da expectativa no ano passado e que os sinais até agora para este ano são bons.
- A arrecadação está muito, muito forte. O superávit fiscal é a âncora chave para a economia argentina - disse ele.
Perguntado se havia uma boa chance de superar a meta de 3,2% do Produto Interno Bruto, Redrado disse: "Sim". Ele também rechaçou os alertas do FMI de que a política de aumentar emitir dinheiro para comprar dólares como parte da política cambial pode ser inflacionária.
- Não, porque há uma esterilização. Você tem um impacto inflacionário, se não é totalmente esterilizado. No caso da Argentina, é, e o que estamos fazendo é aumentando as reservas", afirmou o presidente do banco central.
- Se o FMI vê problema nisso, eles estão fazendo uma análise incompleta, porque todos os dólares que estamos comprando estão sendo esterilizados pela emissão de diferentes títulos que o banco central tem.
Argentina precisa de acordo com FMI, diz Redrado
Segunda, 27 de Junho de 2005 às 07:43, por: CdB