Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026

Argentina pode perder direito a voto na ONU

Domingo, 03 de Agosto de 2003 às 10:52, por: CdB

A Argentina pode perder no próximo mês de outubro seu direito a voto nas Nações Unidas por causa de uma milionária dívida com essa organização, o que, segundo o chanceler argentino, Rafael Bielsa, seria "trágico". Numa entrevista publicada neste domingo pelo jornal La Nación, Bielsa reconheceu que a Argentina deve US$ 215 milhões à ONU, o que torna o país o terceiro maior devedor em importância, e assegurou que vai fazer "o sobre-humano" para pagar.

- Vamos fazer todos os esforços para reduzir o máximo possível essa dívida - afirmou Bielsa, destacando que se a Argentina "quer ser um país sério, tem que cumprir" com seus pagamentos. A Argentina suspendeu todos os pagamentos com credores internacionais em dezembro de 2001, e sua dívida com a ONU entrou na moratória, declarada em conseqüência da mais grave crise econômica, social e política da história da nação.

- Perder o voto nas Nações Unidas seria trágico neste momento do país - afirmou o ministro das Relações Exteriores, que teme também pelas conseqüências do não pagamento de US$ 2,8 milhões a um fundo bilateral com os Estados Unidos até 30 de setembro.

Por causa de sua morosidade, a Argentina já perdeu o direito a voto na Organização Mundial da Saúde (OMS) e agora corre o risco que o mesmo aconteça na Assembléia Geral e na Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (Unesco) e na Organização Pan-Americana da Saúde (OPS). Além disso, estão em risco todos os benefícios em programas, projetos e ajudas recebidas pelos membros desses organismos, o que é particularmente grave devido à difícil situação social do país, que tem mais de 57% de sua população imersa na pobreza e 15,6% de seus trabalhadores sem emprego.

Conforme o La Nación, o Governo presidido por Néstor Kirchner quer saldar suas dívidas, mas se depara com dois "grandes empecilhos" que são "as maltratadas finanças do Estado e a resistência que o assunto gera em muitos setores do Governo".

- É difícil explicar a alguém que briga para conseguir um subsídio de 150 pesos (US$ 50) para uma família de desempregados o importante que é para o país honrar uma dívida milionária - disse uma fonte oficial ao jornal.

Os que defendem o pagamento da dívida lembram que nem o México nem a Rússia descuidaram de suas obrigações com a ONU quando estes países passaram por graves crises financeiras na década de 90. De acordo com o La Nación, aconteceu recentemente uma reunião entre funcionários dos ministérios e escritórios do Estado que possuem as maiores dívidas com a ONU, como a Chancelaria e o Ministério da Saúde.

O objetivo é buscar uma solução em conjunto para evitar que a Argentina sofra o que aconteceu com Serra Leoa e o Burundi, países que já perderam seu direito de voto nas decisões da principal organização internacional.

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