Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

Argentina pede o fim das etiquetas de transgênicos no Brasil

Segunda, 05 de Maio de 2003 às 05:46, por: CdB

A Argentina pedirá ao Brasil nesta segunda-feira que suspenda a exigência de etiquetas de produtos que contenham mais de 1% de organismos geneticamente modificados (OGM), transgênicos. Se a medida for mantida, provocará um prejuízo de US$ 250 a US$ 600 milhões de dólares para os exportadores do setor agroalimentar argentino. O pedido foi levado à Brasília pelo vice-chanceler Martín Redrado, que viajou no domingo, e será discutido nesta segunda com o secretário geral do Itamaraty, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Redrado aproveitará a reunião bilateral já agendada para explicar que o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assinado na semana passada, "é motivo de preocupação do governo argentino", o qual soube da notícia através da imprensa, e lamentou não ter sido consultado sobre a decisão. Embora os governos sejam outros, entre a Argentina e o Brasil a comunicação de medidas, que afetam aos interesses de um ou de outro, através da imprensa, tem sido uma prática muito comum, o que provoca mal estar entre as autoridades do país prejudicado. Pelas normas do Mercosul, qualquer medida que altere o comércio regional tem de ser antecipada aos países sócios. O decreto sobre as etiquetas chegou a ser interpretado por alguns setores argentinos como uma represália por causa do veto do presidente Eduardo Duhalde à parte da venda da Pecom à Petrobras. Porém, essa suspeita foi descartada por funcionários da chancelaria argentina. As leis da Argentina permitem o cultivo de grãos modificados e quase toda a soja produzida no país é transgênica.

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