Rio de Janeiro, 08 de Agosto de 2026

Argentina leva ex-ditadores à Justiça

Terça, 01 de Março de 2011 às 09:05, por: CdB

Alguns dos nossos vizinhos, também vítimas de ditaduras militares (leiam nota acima) entre as décadas de 60 e 80 do século passado - caso da Argentina - estão bem à frente do Brasil nesse processo de abertura de arquivos da repressão e descoberta do que realmente aconteceu nos porões daqueles regimes, de revisão e justiça em relação a algozes e vítimas daquele processo.

A Argentina iniciou ontem o julgamento - pode durar até dezembro - dos ex-ditadores, generais Jorge Rafael Videla e Reynaldo Bignone, e de mais seis militares, entre os quais dois almirantes, Antonio Vañek e Rubén Franco. Todos são acusados e responsabilizados por um plano que funcionou sistematicamente durante a ditadura (1976-1983) de roubo e mudança de identidade de cerca de 500 bebês, filhos de desaparecidos políticos, a maioria nascida em cativeiro nas prisões clandestinas.

Quartéis funcionaram como maternidades clandestinas

Videla e Bignone estão de volta ao banco dos réus. Videla, aos 85, já cumpre pena de prisão perpétua decretada em outro julgamento. Bignone, também, cumpre pena de prisão de 25 anos. Ambos voltam a ser julgados em outro processo em que respondem por por crimes, sequestros e torturas.

Respondem, agora, a acusação de que durante a ditadura funcionou sistematicamente um esquema montado para se apropriar de menores (bebês) de presas políticas. Uma das principais maternidades clandestinas funcionou no Campo de Mayo, a maior unidade militar do país em Buenos Aires.

A outra, na Escola de Mecânica das Forças Armadas onde as grávidas davam à luz encapuzadas. De acordo com levantamento de entidades humanitárias a última ditadura militar argentina é rsponsável pela prisão e desaparecimento de 30 mil presos políticos.

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