Horas antes de iniciar na Itália a apresentação da oferta de troca de dívida da Argentina, o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, mostrou-se otimista, mas não eufórico, com os resultados parciais e criticou o líder do maior grupo de credores.
"Nós somos muito otimistas, mas não vamos cantar vitória antes do tempo. Como disse (o ministro da Economia Roberto) Lavagna, deixemos que o mercado fale... Longe dos que dizem que há um excessivo otimismo oficial, eu digo que esse processo não será fácil", afirmou Nielsen em entrevistas publicadas nos jornais argentinos La Nación e Clarín.
O processo para trocar 102,6 bilhões de dólares da dívida em moratória começou na sexta-feira com a adesão dos fundos de pensão argentinos e outros investidores institucionais e minoritários locais e estrangeiros.
Segundo fontes de mercado, as operações realizadas na sexta levam o nível de adesão a cerca de 20 por cento.
Os novos bônus oferecidos --que serão emitidos até 41,8 bilhões de dólares-- oferecem menos taxas de juros que os originais e prazos mais longos.
Essa combinação faz com que, segundo especialistas, os investidores recuperem entre 30 a 35 centavos por cada dólar do valor nominal dos títulos originais.
A fase italiana do giro de apresentações promete ser a mais difícil para Nielsen, já que na Itália encontra-se a maior quantidade de minoritários furiosos com a oferta.
Mas ele assegurou que os bancos italianos estão fazendo o caminho mais fácil aos minoritários ao comprar seus bônus em moratória pelo valor de mercado e entrando com eles na troca.
"Os bancos estão atuando com inteligência... Parece que se colocaram de acordo para entrar na troca e não os detentores de bônus. De todo modo, os bancos também vêem um negócio nisso porque não acredito que estão pagando mais do que indica o preço de mercado", afirmou Nielsen.
Em Roma, Nielsen também deverá enfrentar críticas do italiano Nicola Stock, co-diretor do Comitê Global de Detentores de Bônus da Argentina (GCAB, na sigla em inglês), que assegura ser o representante de credores de 39 bilhões de dólares.
Mas o governo argentino sempre disse que essa representação era irreal e Nielsen atacou de novo. "Stock tem que demonstrar que representa tantos detentores de bônus como diz."
A operação de troca da dívida estará aberta até 25 de fevereiro e os resultados finais devem ser conhecidos em 18 de março.