Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Argentina espera que reconhecimento do FMI abra oportunidades de investimentos

Sábado, 10 de Janeiro de 2004 às 14:49, por: CdB

O Governo da Argentina disse neste sábado, que com o reconhecimento por parte do FMI de que o país cumpriu as metas econômicas estabelecidas para o último trimestre de 2003 se abrem "oportunidades extraordinárias de investimento e desenvolvimento".    

A economia argentina ganhou em "segurança" com a aprovação da primeira revisão do acordo assinado em setembro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou o chefe do Gabinete, Alberto Fernández.

Fernández disse que será "impossível" modificar a proposta de pagar apenas 25 por cento da dívida argentina com credores privados que totaliza aproximadamente 88 bilhões de dólares e que está em moratória desde dezembro de 2001, e expressou sua confiança em que essa postura "acabe sendo entendida".

A Argentina propôs uma diminuição de 75 por cento do valor dos títulos públicos para o pagamento de sua dívida, o que provocou uma reação negativa por parte dos credores privados, alguns dos quais recorreram à Justiça em diferentes países.

O economista argentino Carlos Melconián afirmou hoje que "uma solução para a questão da dívida" da Argentina passa pela renovação das propostas realizadas aos credores e do superávit primário oferecido.

No entanto, Fernández justificou a diminuição de 75 por cento com a necessidade de manter "o plano de desenvolvimento" que o Governo do presidente Néstor Kirchner afirma ter iniciado.

O chefe do Gabinete assegurou que o próximo objetivo é "encontrar o modo de buscar investidores que se instalem" no país, e acrescentou que o reconhecimento do FMI "dá segurança sobre o curso da economia nos próximos tempos".

O diretor-gerente do FMI, Horst Kohler, telefonou nesta sexta-feira ao presidente Kirchner para comunicar-lhe a decisão do organismo de crédito e o felicitá-lo "pelo rumo da economia argentina".

Durante a conversa, Kirchner disse que o Governo não se comprometerá a obter um superávit maior do que 3 por cento em 2004 para pagar a dívida, referindo-se ao nível de economia fiscal estipulado pelo acordo.

A aprovação da revisão, que também foi confirmada em carta pela subdiretora gerente do FMI, Anne Krueger, será agora enviada ao diretório do organismo para ser tratado este mês.

Depois da divulgação da notícia de que a revisão havia sido aprovada, o índice Merval da Bolsa de Buenos Aires subiu 3,26 por cento, chegando a 1195,4 pontos.

Em declarações dadas em Fotheringham, na província de Córdoba, Kirchner disse que o FMI deveria ter aprovado antes a revisão do acordo, pois o Governo esperava a notícia desde 17 de dezembro.

Por sua parte, o ex-candidato presidencial Ricardo López Murphy afirmou que o aval do FMI não traz "nada de inovador" do ponto de vista econômico, mas disse ser "preocupante" que o chefe do organismo tenha comunicado a decisão pessoalmente a Kirchner, pois este "deveria ser apenas um passo administrativo".

Por outra parte, o ex-diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental Claudio Loser disse hoje que nos acordos com o organismo "há 90 por cento de técnica e 10 por cento de jogo de cintura político".

O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, afirmou que os Estados Unidos desempenharam um papel "muito positivo" na discussão, mas horas depois Kirchner disse que a Administração de George W. Bush não havia participado das negociações.

O aval foi dado dias antes da reunião que Kirchner terá com Kohler na próxima segunda-feira na cidade de Monterrey, no México, durante a Cúpula das Américas, para analisar "os passos para o futuro".

O presidente partirá hoje de Buenos Aires às 23.30 horas (0.30 do domingo em Brasília) e na segunda-feira se reunirá com o diretor-gerente. Na terça, Kirchner tem um encontro de 15 minutos marcado com Bush.

Lavagna também se reunirá com diretores do organismo internacional durante sua estadia em Monterrey para analisar o rumo econômico da Argent

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