O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua colega argentina, Cristina Kirchner, assinaram nesta segunda-feira o acordo para que os dois países utilizem suas próprias moedas no comércio bilateral, eliminando o uso do dólar.
Durante uma reunião em Brasília, os presidentes também acertaram um protocolo de intenções para construção da hidrelétrica binacional Garabí, no rio Uruguai, entre outras iniciativas.
- Damos um passo inicial a uma futura integração monetária regional - disse Lula durante almoço com a presidente argentina.
O Banco Central informou em nota à imprensa que também firmou com a autoridade monetária da Argentina um convênio que define as regras de operação do Sistema de Pagamentos em Moeda Local.
Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o acordo entrará em vigor no início de outubro em caráter experimental. O sistema poderá ser estendido no futuro aos demais membros do Mercosul, acrescentou ele.
Pelo sistema, os importadores e exportadores de Argentina e Brasil poderão usar suas respectivas moedas nas operações comerciais.
- O aprofundamento do mercado real-peso, a redução de entraves nas transações comerciais entre os dois países e o acesso de pequenos e médios exportadores são os principais objetivos da iniciativa - acrescentou o BC.
- Com a eliminação de uma terceira moeda nas transações diretas entre as empresas, o exportador, ao fixar o preço da exportação na moeda de seu país, deixará de ficar exposto a variações nas taxas de câmbio e terá a certeza de que receberá exatamente o valor negociado na sua moeda - afirmou.
Inicialmente, o sistema poderá ser usado para operações de prazo de até 360 dias.