Argentina e Brasil avançaram nesta quinta-feira, na articulação de uma postura conjunta nas negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas e discutiram os próximos passos do Mercosul nas conversações comerciais com a União Européia e a Índia.
A nutrida agenda foi desdobrada em duas jornadas por funcionários das Chancelarias de ambos os países que se reuniram em Buenos Aires, e às conversações se unirão nesta sexta-feira, representantes de Uruguai e Paraguai, os outros dois sócios do Mercado Comum do Sul (Mercosul).
A Chancelaria argentina declarou hoje que avançou com o Brasil "na estratégia de negociação" para a próxima reunião de vice-ministros da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que acontecerá na cidade mexicana de Puebla, de 3 a 6 de fevereiro próximo.
Em particular, os funcionários desenharam "o conjunto comum de direitos e obrigações da Alca satisfatório para as aspirações do Mercosul".
As missões, encabeçadas pelo secretário de Comércio Internacional da Argentina, Martín Redrado, e o vice-chanceler brasileiro, Samuel Pinheiro Guimarães, avançaram também em definições sobre as negociações com a União Européia (UE) e a Índia.
Mas para tomar uma decisão final a respeito se deverá esperar a reunião de coordenadores do Mercosul que acontece amanhã em Buenos Aires.
Ainda assim, a respeito das negociações com a UE, Argentina e Brasil agendaram uma reunião de coordenadores dos quatro sócios sul-americanos para o próximo 16 de fevereiro, seguida de reuniões dos grupos de trabalho, com vistas à preparação do XII Comitê de Negociações Birregionais, que acontecerá em março em Buenos Aires.
Quanto às negociações com a Índia, se resolveu trabalhar com funcionários desse país, mediante uma videoconferência, para completar o texto do acordo de preferências comerciais com o Mercosul.
- Existem expectativas de que este acordo possa ser assinado em poucas semanas mais - afirmou a Chancelaria argentina.
Por outro lado, o Brasil se comprometeu a estudar as propostas argentinas sobre vigência e aplicação da normativa do Mercosul, a formação de um fundo para o funcionamento dos tribunais arbitrais e as características do futuro parlamento regional.
Além disso, em matéria de coordenação macroeconômica, foi acordado analisar a incorporação das metas definidas de forma 'quatripartite' nas políticas nacionais dos estados partes do bloco, onde Chile, Peru e Bolívia participam como associados.
Com relação ao tratamento dos assuntos bilaterais, Argentina e Brasil se comprometeram a realizar novas reuniões para aprofundar no conhecimento das próximas passagens da reforma tributária do Brasil.
Sobre a exportação de lácteos ao Brasil, outro dos pontos que preocupavam a Argentina, o governo de Néstor Kirchner solicitou que se restabeleça o livre comércio sem compromisso de preços neste setor.