Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Argentina denuncia tortura nos anos 80

Quinta, 15 de Janeiro de 2004 às 18:33, por: CdB

O Governo argentino denunciou nesta quinta-feira, a existência de uma guarnição do Exército onde prisioneiros eram atormentados e submetidos a situações constrangedoras em 1986, quando o presidente Raúl Alfonsín governava o país.

O atual presidente, Néstor Kirchner, ordenou a investigação do caso, depois de ver uma série de fotografias "nas quais integrantes do Exército denigrem pessoas nuas, em um campo deserto".

- As fotografias de alto impacto foram tiradas durante um curso de comando de pessoal do Exército em 1986 em uma guarnição da província de Córdoba e todas as pessoas que aparecem ali faziam parte da força militar terrestre, que em sua maioria estão identificadas - disse o Ministério da Defesa em um comunicado.

Kirchner se reuniu nesta quinta-feira com o ministro de Defesa, José Pampuro, com o chefe do Exército, general Roberto Bendini, e com o secretário de Assuntos Militares, Jaime Garreta, para analisar o caso.

Posteriormente Pampuro se reuniu com os principais organismos de direitos humanos do país, para informar sobre a investigação.

Depois de tomar conhecimento da denúncia pública, o ex-presidente Alfonsín (1983-1989) garantiu desconhecer a existência das atividades de tortura em um campo militar de Córdoba e se mostrou a favor da investigação do caso e da prisão dos responsáveis.

- É a primeira notícia que tenho. Mas se houve esse treinamento de práticas de tortura é preciso aplicar a lei que eu assinei, e que modifica o Código Penal estabelecendo para o torturador a mesma pena que o homicídio - disse Alfonsín em declarações à agência local Dyn.

O ex-presidente lembrou que durante seu governo "assinou o tratado contra a tortura internacional" e se disse "um lutador contra a tortura", por isso ninguém vai acreditar ele estava a par da situação.

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