O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa, anunciou hoje, segunda-feira, que convocará em janeiro, durante a presidência de seu país no Conselho de Segurança, uma sessão especial para abordar a situação no Haiti.
Bielsa fez o anúncio em declarações à EFE depois de se reunir com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e com o responsável pela Divisão Eleitoral do organismo mundial, Carina Perelli.
Durante seu encontro com Annan, Bielsa reiterou o apoio da Argentina à sua gestão, em meio a duras críticas que o secretário-geral vem enfrentando por causa de acusações de corrupção no programa humanitário "Petróleo por Alimentos".
A Argentina se tornará a partir de janeiro um membro não permanente do Conselho de Segurança por dois anos em substituição ao Chile, representando os países da América Latina e do Caribe.
Já em janeiro o país assume a presidência rotativa do Conselho e por isso propôs a sessão para abordar a situação do Haiti.
O tema é importante para América Latina, já que a maioria das tropas da Missão para a Estabilização do Haiti da ONU (Minustah) vêm de países da região.
Bielsa indicou que na sessão especial, que será realizada em 13 de janeiro, estará presente o representante especial da ONU e chefe da Minustah, o chileno Juan Gabriel Valdés.
Outro tema abordado com Annan, segundo informou Bielsa, foi a reforma da ONU à luz do relatório recém divulgado que inclui recomendações de um alto painel de especialistas para ajustar o organismo mundial aos desafios do século XXI.
"Falamos da não proliferação, do terrorismo e das metas do Milênio, assim como da posição da Argentina sobre a questão da ampliação do Conselho de Segurança", explicou Bielsa.
A Argentina apóia, segundo explicou, a segunda opção recomendada pelo grupo de especialistas, que contempla a criação de uma nova categoria de membros do Conselho, que teria caráter de "semipermanentes".
Estes membros seriam escolhidos por quatro anos em nível regional e poderiam tentar a reeleição apenas uma vez.
Para aspirar a um assento "semipermanente", os países devem ter participado de missões de paz, realizado contribuições financeiras à ONU e cooperado em operações de ajuda humanitária.
Bielsa discutiu também as eleições no Iraque e na Palestina com a responsável pela Divisão Eleitoral da ONU, Carina Perelli.
O chanceler argentina permanecerá em Nova York durante a maior parte da presidência do país no Conselho e deve fazer visitas esporádicas apenas a Haiti e França, onde o presidente argentino, Néstor Kirchner, terá uma reunião com o presidente francês, Jacques Chirac.
Bielsa viajará hoje para Washington,onde se encontra na terça-feira com o secretário de Estado americano, Colin Powell, e outros altos funcionários do governo americano.