Passada a primeira semana da troca da dívida pública, a Argentina conseguiu 23,2% de aceitação à sua proposta para sair da moratória, segundo o Ministério da Economia. O porta-voz do ministério, Armando Torres, disse que até a sexta-feira passada a troca de dívida já somava US$ 19 bilhões e que esta informação foi apresentada à Comissão de Valores da Itália (Consob).
O governo entregou essa informação "para cumprir as exigências do Consob", disse Torres, em referência aos requisitos exigidos pelo organismo italiano para autorizar a operação no país, onde mais de 450 mil investidores possuem bônus argentinos não pagos.
No total, a Argentina deve US$ 81,8 bilhões em títulos. A Argentina iniciou no dia 14 de janeiro um período de seis semanas para que os credores digam se aceitam a proposta de troca, pela qual serão emitidos novos papéis no valor de até US$ 41,8 bilhões. Considerando os juros vencidos, que a argentina não paga desde janeiro de 2002, a dívida soma US$ 102,6 bilhões.
Funcionários do Ministério da Economia foram à Europa na semana passada para divulgar a operação. Os próximos destinos são o Japão e os Estados Unidos, segundo Torres.
Em sua passagem pela Itália, o secretário das Finanças argentino, Guillermo Nielsen, encontrou-se com os investidores mais reticentes em aceitar a oferta, criticada tanto pelo governo de Silvio Berlusconi como por correntistas e banqueiros.
A maior parte dos que aceitaram a proposta são investidores institucionais da Argentina, principalmente os fundos de pensão, que no primeiro dia da troca enviaram seu consentimento às autoridades.
A AFJP, companhia que coleta mensalmente parte do salário dos argentinos para administrar sua futura aposentadoria, junto com as empresas de seguros locais, os fundos de investimentos e os pequenos investidores argentinos que decidiram participar da troca representavam na sexta-feira 19 por cento da adesão.
Na quinta-feira, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, disse que o resultado parcial da troca era "bastante satisfatório". Os credores da dívida argentina tem até o dia 25 de fevereiro para se decidir. O governo garantiu que, com 50 por cento de aceitação, considerará que já não se encontra em moratória.
Mas o Fundo Monetário Internacional (FMI), com o qual a Argentina tem um acordo suspenso desde o ano passado, diz que só considerará que a troca teve sucesso se for aceita por 75 por cento dos credores.