Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2026

Argentina assina carta de intenções com o FMI

Quinta, 16 de Janeiro de 2003 às 22:23, por: CdB

O governo argentino e os técnicos do FMI (Fundo Monetário Internacional) assinaram nesta quinta-feira uma carta de intenções, último passo para a concretização de um acordo. Em um comunicado, o Ministério da Economia da Argentina informou que o refinanciamento da dívida do país será de US$ 6,6 bilhões, referentes às parcelas entre janeiro e agosto deste ano. Logo após a assinatura, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, determinou o pagamento da parcela da dívida de US$ 1,065 bilhão com o FMI, que vence nesta sexta-feira. A Argentina conseguiu ainda sinalização do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Bird (Banco Mundial) para refinanciar dívidas no valor de US$ 4,4 bilhões. Fôlego A expectativa, agora, é de que a programação para o pagamento dos empréstimos concedidos à Argentina por organismos internacionais dê fôlego ao país. Atualmente, as reservas do Banco Central estão limitadas em US$ 10,6 bilhões, o que - de acordo com Lavagna - impedia que as dívidas fossem pagas. Em um comunicado divulgado em Washington, logo após o pronunciamento do Ministério da Economia da Argentina, o FMI confirmou que a carta de intenções foi assinada e será encaminhada ao diretório do organismo. A direção do Fundo se reunirá no próximo dia 23, quando deve oficializar o acordo de reprogramação da dívida argentina. Reservas "A Argentina conseguiu", comemorou o presidente argentino, Eduardo Duhalde, na noite de quinta-feira. "Nós tinhamos que cuidar das reservas e conseguimos". A carta de intenções assinada pelas duas partes determina que o FMI devolva a parcela de US$ 1,65 bilhão aos cofres do Banco Central argentino, assim que a direção do Fundo oficializar o acordo. "Agora, o caminho fica mais livre para o próximo presidente governar sem a pressão de ter que colocar as reservas em risco para pagar a dívida externa", afirmou Duhalde. De acordo com o Ministério da Economia, a carta de intenções foi assinada por Lavagna e pelo presidente do Banco Central, Alfonso Prat-Gay. Surpresa Curiosamente, o FMI e a Argentina acertaram os ponteiros um dia após Lavagna ter confirmado que não pagaria a dívida com os organismos internacionais enquanto não recebesse o sinal verde do Fundo para a concretização de um acordo. O gesto causou surpresa no FMI, que esperava a quitação, de qualquer jeito, das parcelas das dívidas que venciam nesta semana com o BID, o Bird e o próprio Fundo. No entanto, as novas exigências do organismo, como o controle monetário, levaram Lavagna a endurecer, dizendo que não pagaria ao BID, na quarta-feira, e muito menos ao Bird e ao FMI, nesta sexta. Depois de uma manhã de conversas intensas entre as duas partes, ficou acertado que a carta de intenções seria assinada e que o acordo deve ser confirmado no próximo dia 23.

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