O governo argentino expressou nesta segunda-feira seu apoio ao presidente da Bolívia, Carlos Mesa, que anunciou ontem à noite sua decisão de renunciar ao cargo.
Fontes oficiais confirmaram à EFE que o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, telefonou hoje para o presidente boliviano e manifestou seu apoio diante da difícil situação política que a Bolívia atravessa.
Mesa anunciou sua decisão de renunciar pressionado pela onda de protestos que foi crescendo nos últimos dias e apresentou hoje sua carta de renúncia ao Congresso, que deverá tomar uma decisão a respeito.
Os porta-vozes oficiais disseram que a longa duração da conversa entre Kirchner e Mesa fez com que o presidente argentino suspendesse uma viagem à província de Formosa, no norte do país, junto com o ministro de Planejamento Federal, Julio de Vido.
Vido confirmou, em Formosa, o apoio do governo argentino à Mesa e assegurou que a administração de Kirchner "estará junto" à Bolívia para garantir o abastecimento de gás ao nordeste argentino, apesar da crise política vivida pelo "país irmão".
- Estamos comprometidos a trazer o gás, apesar das dificuldades políticas que hoje passa nossa querida e irmã Bolívia - afirmou.
- Estaremos ao lado deles para poder concretizar as exportações de gás à Argentina e poder abastecer todo o país - acrescentou.
Na semana passada, Vido tinha declarado que a Argentina esperava retomar as negociações com a Bolívia neste mês para fechar um acordo sobre o preço do gás que será destinado ao novo gasoduto do nordeste argentino.
A Argentina paga à Bolívia, país parceiro do Mercosul, 1,35 dólar por milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica) pelo gás que importa desde o ano passado, e as autoridades bolivianas querem aumentar esse preço a 1,98 dólar, similar ao que cobra do Brasil.
As compras de gás boliviano aumentarão substancialmente quando começar a funcionar o Gasoduto do Nordeste, destinado a abastecer várias províncias argentinas.
Em outubro passado, o presidente argentino assinou com Mesa um protocolo que deixou aberta a negociação do preço de gás por um volume de até 20 milhões de metros cúbicos diários e por um prazo mínimo de dez anos.
Atualmente, a Argentina compra até 4,5 milhões de metros cúbicos diários de gás boliviano, segundo os acordos assinados no ano passado, quando viveu uma crise por escassez do hidrocarboneto.
O cônsul boliviano em Buenos Aires, Gustavo Aliaga Palma, disse em entrevista à rede Todo Noticias que Mesa tomou uma decisão certa.
- Não dá para governar um país em protesto e quando todos pressionam - justificou.
Palma acredita que o Congresso boliviano rejeitará a renúncia apresentada pelo presidente.
Argentina apóia Mesa e quer manter abastecimento de gás
Segunda, 07 de Março de 2005 às 13:32, por: CdB