O governo da Argentina aprovou nesta segunda-feira uma carta de intenções redigida pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), com as medidas que o país deve cumprir para receber ajuda financeira. As autoridades argentinas revelaram ainda que decidiram pagar uma dívida com o próprio FMI, com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e com o Banco Mundial (Bird) num total de US$ 3 bilhões - valor correspondente a 30% das reservas atuais do país no Banco Central. Com a medida, a Argentina cede às pressões do FMI para, primeiro, pagar o que deve e, assim, abrir caminho para a assinatura de um tão esperado acordo com o Fundo. As informações foram anunciadas por assessores do Ministério da Economia, logo após a reunião entre o ministro Roberto Lavagna e a missão do FMI. Exigências De acordo com o porta-voz do ministro, Armando Torres, o governo espera que o FMI oficialize o acordo no fim de semana, um ano após o início das negociações para reprogramar as próximas parcelas das dívidas do país com os organismos internacionais. Entre as exigências da nova carta de intenções estão o aumento da arrecadação de impostos, o fim da redução do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) de 21% para 18%, anunciada em dezembro passado, e a garantia de independência do Banco Central. A decisão argentina de pagar para não correr o risco de ser riscada dos planos dos organismos internacionais foi anunciada em um momento de contagem regressiva para o vencimento, nesta terça-feira, de parcelas da dívida do país com o BID e o Bird. A parcela da dívida com o Banco Mundial é de US$ 725 milhões e com o BID, de US$ 845 milhões. Nos dois casos, trata-se da prorrogação de vencimentos previstos, originalmente, para novembro e dezembro do ano passado, o que significa que o país já estava em processo de moratória com os dois bancos. Na sexta-feira, vence uma dívida de US$ 985 milhões da Argentina com o FMI. Esta parcela e os próximos vencimentos com o Fundo vinham levando o organismo a pressionar o governo argentino a, primeiro, pagar o que deve e, depois, assinar um acordo. Dos US$ 8 bilhões que o país precisa pagar ao BID, ao Banco Mundial e ao FMI nos próximos meses, US$ 5 bilhões correspondem a créditos concedidos pelo Fundo ao país. Inflação Depois de um dia de expectativas, boatos e protestos de poupadores na tradicional Rua Florida, onde o policiamento esteve novamente reforçado, o governo demonstrou que pretende pagar o que deve para não ficar ainda mais isolado do mapa dos investimentos internacionais. Até agora, o ministro Lavagna vinha resistindo em pagar a dívida para não gastar as reservas do Banco Central, com o argumento de que a medida poderia gerar inflação. O novo temor dos analistas locais é que o FMI não anuncie logo o tão esperado acordo, que não prevê dinheiro novo para um país com 36 milhões de habitantes, desemprego de cerca de 20% e uma recuperação econômica que, na prática, quase inexistente. No entanto, economistas acreditam que assinar um acordo com o FMI, mesmo que seja de curto prazo, ajudará a Argentina a sair do fundo do poço em que está metida desde 1998, quando começou o processo de recessão que se agravou com a crise política gerada pela queda do ex-presidente Fernando de la Rúa.
Argentina aceita exigências para receber ajuda do FMI
O governo da Argentina aprovou nesta segunda-feira uma carta de intenções redigida pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), com as medidas que o país deve cumprir para receber ajuda financeira. As autoridades argentinas revelaram ainda que decidiram pagar uma dívida com o próprio FMI, com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e com o Banco Mundial (Bird) num total de US$ 3 bilhões - valor correspondente a 30% das reservas atuais do país no Banco Central.
Segunda, 13 de Janeiro de 2003 às 23:46, por: CdB