Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Áreas controladas pelo narcotráfico serão cercadas pelas Forças Armadas

Quinta, 06 de Maio de 2004 às 22:48, por: CdB

Em plano final de elaboração, o plano de ação das Forças Armadas no Rio de Janeiro prevê que as tropas militares deverão montar o cerco sobre áreas controladas pelo narcotráfico dentro da cidade. As tropas também vão instalar bases operacionais em pontos estratégicos para que tenham condições de se deslocar com rapidez em situações emergenciais. A idéia é dar amparo às intervenções das polícias e reforçar a presença militar nas ruas.

Os detalhes finais do plano serão acertados numa reunião, na segunda-feira, entre os ministros da Defesa, José Viegas, da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e a governadora Rosinha Matheus. Também deverão participar no encontro, no Rio de Janeiro, o secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, e o comandante do Comando Militar do Leste, general Manoel Luís Valdevez Castro, coordenador-geral da ação militar no estado.

Segundo o general Augusto Heleno Ribeiro Freitas, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, as tropas deverão cercar determinas áreas para facilitar a ação repressiva das polícias. Mas, a partir do cerco, poderão também vasculhar a área isolada principalmente em busca de armas e munições.

Na última quarta-feira, o ministro José Viegas disse que as Forças Armadas participarão de ações conjuntas com as políciais civis e militares para confiscar armas em poder de quadrilhas. Por razões estratégicas, o comando das operações não divulgará os nomes das áreas a serem cercadas.

As tropas motorizadas também vão sair dos quartéis e montar bases em áreas servidas de pistas, que permitam o acesso rápido às favelas e morros alvos de operações policiais. A partir dessas bases, as tropas poderão ser acionadas para reforçar o policiamento ou socorrer as forças aliadas em momentos de dificuldade. Uma destas bases pode ser instalada nas imediações do cruzamento entre avenida Brasil e a Linha Vermelha. Mas, apesar das ações ostensivas, os militares querem evitar contatos diretos com a população.

Os militares não têm poder de polícia e não podem nem mesmo exigir fazer revistas aleatórias em pessoas que passem por alguma barreira. Vários militares que participaram de ações deste tipo na Operação Rio, em 1994, estão até hoje respondendo a processo na Justiça por abuso de autoridade.

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