Rio de Janeiro, 28 de Abril de 2026

Área do Exército pode abrigar índios expulsos no MS

Após ver a situação de miséria e abandono, o prefeito de Antônio João (MS), Junei Marques, vai propor à Fundação Nacional do Índio (Funai) que abrigue os índios Guarani-Kaiowá em uma área do Exército. Uma índia grávida foi derrubada e perdeu o bebê, durante a ação da Polícia Federal. (Leia Mais)

Domingo, 18 de Dezembro de 2005 às 11:26, por: CdB

O prefeito de Antônio João (MS), Junei Marques, vai propor à Fundação Nacional do Índio (Funai) que abrigue temporariamente os índios Guarani-Kaiowá em uma área do Exército. O prefeito apresentará a proposta na próxima terça-feira ao presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, em Brasília.

Mais de 300 índios desocuparam na última quinta-feira duas fazendas no município de Antônio João em cumprimento à decisão da Justiça Federal de reintegração de posse. As casas da comunidade foram queimadas durante a retirada e os índios estão acampados em uma estrada que liga os municípios de Antônio João e Bela Vista.

Por telefone, o prefeito disse que a área pertencente ao Exército tem 800 hectares e é usada para treinamento militar.

- O Exército usa pouco e pode ser uma alternativa temporária - afirmou.

O assessor da presidência da Funai Odenir Oliveira, que está no local, informou que os Guarani-Kaiowá estão em situação precária na rodovia, já que estão em barracas provisórias e chove muito na região. Odenir Oliveira disse que teve dificuldade para comprar capas plásticas para proteger as barracas dos índios da chuva no município.

- Não conseguimos comprar na única loja que tem o material em Antônio João, porque eles têm medo de represália - afirmou Odenir.

Aborto

Odenir Oliveira informou que uma índia, grávida de seis meses, perdeu o bebê durante a desocupação. Segundo afirmou, a índia se assustou com a aproximação do helicóptero da Polícia Federal e caiu.

- Isso é um fato gravíssimo e mostra a violência usada na ação - disse.

O assessor da Funai informou ainda que um grupo de índios irá depor em Dourados, na próxima semana, sobre os danos sofridos com a retirada. Um casal de índios Guarani-Kaiowá chegará a Brasília neste final de semana para tentar conversar com autoridades do governo federal, disse Odenir.

Leia Também: Índios à míngua e jornalistas expulsos em conflitos pela terra

Tags:
Edições digital e impressa