Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2026

Arcebispo argentino paga fiança para libertar banqueiro preso no Brasil

Sábado, 22 de Novembro de 2003 às 13:37, por: CdB

Em um gesto inédito, um arcebispo argentino abonou a fiança necessária para colocar em liberdade o banqueiro Francisco Trusso, preso no Brasil em 1999 e condenado há oito anos de prisão por manobras fraudulentas, informa hoje, sábado, a imprensa local.

Trusso, acusado de fraudar 300 milhões de dólares no início de 1998, operação que causou a dissolução do Banco de Crédito Provincial (BCP), do qual foi vice-presidente, saiu ontem à noite de uma prisão situada nos arredores de Buenos Aires.

Sua libertação aconteceu depois que o arcebispo da cidade de La Plata, monsenhor Carlos Aguer, se apresentou como fiador do banqueiro de uma quantia de um milhão de pesos (cerca de 345.000 dólares).

A juíza Marcela Garmendia disse que Aguer comprometeu seus próprios bens para garantir a liberdade de Trusso. Ela também afirmou que sua responsabilidade é fazer o ex-banqueiro se apresentar nos tribunais quando for convocado.

A magistrada aceitou o arcebispo como fiador sem exigir nenhum outro requisito e declarou que se o ex-diretor do BCP se declarar em rebeldia, a fiança será executada e Aguer é que terá que pagá-la.

Ao ser consultado por jornalistas na saída do tribunal, onde chegou em uma luxuosa caminhonete, o líder religioso disse que "se tivesse que dar algum tipo de explicação à comunidade católica o faria no púlpito e não por meio dos jornais".

Trusso foi preso em agosto de 1999 no Brasil, país para o qual fugiu depois que em 1997 a Justiça argentina ditou uma ordem de procura e captura contra ele como suposto autor de crimes de fraude e formação de quadrilha.

Embora tenha consentido ser extraditado para a Argentina, o membro de uma família com fortes ligações com a Igreja Católica argentina e o Vaticano escapou quando foi levado para um hospital de São Paulo, sem nenhuma medida de segurança, em dezembro de 2000.

Trusso voltou a ser detido em agosto do ano seguinte na cidade argentina de Miramar, cerca de 450 quilômetros ao sul de Buenos Aires

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