Rio de Janeiro, 16 de Agosto de 2026

Arcanjo é acusado de morte de empresário em MT

Sábado, 06 de Setembro de 2003 às 06:18, por: CdB

O bicheiro João Arcanjo Ribeiro é o mandante do assassinato do empresário Sávio Brandão, crime ocorrido no dia 30 de setembro do ano passado. Quase um ano depois, o inquérito da Polícia Civil concluiu que Brandão, dono do jornal Folha do Estado, foi morto em razão das denúncias que fazia envolvendo o crime organizado e a máfia das máquinas caça-níqueis, atividade controlada por Arcanjo.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira no início da tarde durante entrevista coletiva da qual participaram o secretário de Justiça e Segurança Pública, Célio Wilson de Oliveira, o diretor-geral da Polícia Judiciária Civil, Romel Luiz dos Santos, e o delegado Luciano Inácio da Silva, titular do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO), que conduziu o inquérito.

Foram indiciados também o homem contratado para a execução, cabo PM Hércules de Araújo Agostinho, João Leite, acusado de ser o intermediário, Fernando Barbosa Belo, o piloto da moto que conduziu Hércules até o local e que deu fuga ao pistoleiro, e o ex-policial militar Célio Alves de Souza, parceiro de Hércules e que deu o apoio para a empreitada. Ontem mesmo o inquérito foi enviado à Justiça. Caso não surja nenhuma dúvida em relação às investigações e provas apresentadas, Arcanjo e todos os indiciados serão denunciados.

João Leite, que se apresentava como cobrador do ex-sargento Jesus José de Freitas, também assassinado, teve a prisão preventiva decretada no dia 25 de março. O nome de Leite, que mantinha ligação com Hércules e Célio, surgiu quando a polícia investigava outros assassinatos. A polícia acredita que ele esteja vivo e deva estar circulando com identidade falsa, já que todos os seus documentos foram apreendidos juntamente com diversas máquinas caça-níqueis durante operação realizada pela polícia.

Dos cinco indiciados, Arcanjo encontra-se preso no Uruguai à espera de extradição; Célio está preso no Presídio Pascoal Ramos; Hércules fugiu do presídio no dia 1° de maio; e João Leite e Fernando encontram-se foragidos com prisão preventiva decretada. Ao contrário do que se especulava, a investigação mostrou que o homem que conduzia a moto no dia do assassinato não era Célio Alves de Souza, e sim um amigo de Hércules, Fernando Barbosa Belo, vindo especialmente de Rondônia para participar do crime (veja matéria).

"Não tenho nenhuma dúvida a respeito das provas. Elas são convincentes", disse o secretário Célio Wilson de Oliveira. Ele ressaltou que não foi uma investigação simples, por isso a demora na conclusão do inquérito. São vários os fatos, diversas pessoas que tiveram que ser investigadas para se chegar a esta conclusão.

De acordo com o secretário, a maior dificuldade foi conseguir as provas que vinculassem o crime até o mandante. "Foi um trabalho de paciência, um verdadeiro quebra-cabeças. Não se consegue facilmente provas que as vinculem com o mandante", afirmou Oliveira.

Para a Polícia Civil, o fim do inquérito representou também uma satisfação à sociedade. Sávio foi morto no momento em que mostrava a um amigo a fachada da nova sede do jornal no bairro Consil. Ele foi atingido por sete disparos feitos com uma pistola calibre 9mm por um homem que estava na garupa de uma moto. "Foram feitos dez disparos. Oito em direção à vítima, sete dos quais acertaram Sávio, mas a perícia mostrou que apenas três dos tiros já seriam fatais", disse o delegado Luciano Inácio.

Logo após ter cometido o crime, Hércules foi reconhecido por uma testemunha que por pouco não colidiu o seu carro, um Fiat Marea, com a motocicleta da dupla que deixava o local trafegando na contramão em direção à Rodoviária. O fato de Hércules estar usando o capacete elevado a altura da testa facilitou o seu reconhecimento. Hércules, que já estava sendo investigado por outros crimes, foi preso no dia seguinte.

O delegado Luciano Inácio disse que não existe nenhuma dúvida em relação à ligação entre os autores do crime (Hércules, Célio e Fe

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