O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, ofereceu hoje, sábado, ajuda "às forças de paz israelenses para alcançar a paz de ambos os povos, para o respeito mútuo e para a prosperidade de nossos filhos", em discurso por ocasião da "nakba" (desastre nacional).
Os palestinos lembram hoje o 56º aniversário da "nakba", a expulsão de meio milhão de palestinos de suas casas após a proclamação unilateral do Estado de Israel, em 1948.
As sirenes soaram hoje meio-dia em toda a Cisjordânia, e os palestinos fizeram vários minutos de silêncio nas ruas das aldeias e das cidades.
Em seu escritório na Mukata, Arafat afirmou: "Dizemos ao nosso povo e aos refugiados a partir do coração do fogo na Palestina que não temos outro país, que não há lugar para a ocupação em nossa terra, não há lugar para os assentamentos, nem para o muro de separação".
"Tudo isso desaparecerá com nossa força", afirmou.
O presidente da ANP disse que o retorno dos refugiados "é um direito sagrado protegido pela legitimidade internacional", e ninguém pode ignorá-lo.
De acordo com Arafat, o governo de Israel não pode ser perdoado por sua responsabilidade na "nakba", que o líder palestino classificou como uma "tragédia para os refugiados palestinos".
O 56º aniversário da "nakba" coincide com a paralisação dos esforços da comunidade internacional pela criação do Estado palestino independente.
A "nakba" lembra a tragédia dos refugiados palestinos em 28 campos dos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, no Líbano, na Jordânia, na Síria e em outros países árabes, cujo número é atualmente de cerca de quatro milhões de pessoas, segundo a ONU.
Após a proclamação do Estado de Israel na Palestina, em 1948, em virtude do Plano de Partilha (1947) da ONU, o que foi seguido horas depois pelo começo da primeira guerra árabe-israelense, centenas de milhares de habitantes árabes do país foram expulsos pelas forças israelenses ou abandonaram seus bens com a esperança de recuperá-los, o que não ocorreu.
O "direito de retorno à Palestina", também consagrado pela resolução 194 da Assembléia Geral da ONU (1948), se transformou na coluna vertebral do ideário da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e em uma peça essencial de sua luta pela independência até hoje.
Todos os governos israelenses rejeitaram plenamente o direito de retorno dos palestinos, pois acreditam que este retorno significaria a destruição de seu Estado democrático devido ao peso demográfico dos refugiados.