O líder palestino Yasser Arafat fez, nesta quinta-feira, duras críticas aos resultados da reunião de cúpula de Aqaba, na Jordânia, sobre a paz no Oriente Médio. Arafat, que não foi convidado para as negociações com Israel e com os Estados Unidos, disse que a promessa israelense de acabar com os assentamentos não-autorizados na Faixa de Gaza é insuficiente. Na primeira indicação de que Israel está disposto a implementar o plano de paz patrocinado pelos Estados Unidos, funcionários do governo devem se reunir nesta quinta-feira para decidir como desmobilizar alguns postos avançados, segundo a imprensa isralense. Já os palestinos, que foram representados na reunião pelo primeiro-ministro Mahmoud Abbas, também conhecido como Abu Mazen, disseram que o levante armado palestino (Infifada) tem que acabar. Horas depois da reunião, milhares de assentados israelenses e militantes da direita fizeram uma manifestação em Jerusalém, prometendo barrar qualquer tentativa de acabar com os assentamentos ou postos avançados. Arafat disse que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, "ainda não apresentou nada de tangível". - Qual é o significado de mudar uns trailers de lugar e, então, dizer: 'Eu removi um assentamento'? - perguntou Arafat aos repórteres que o abordaram ao sair do seu quartel-general em Ramallah, na Cisjordânia. De manhã, um dos principais assessores de Arafat, Nabil Abu Rudeina, disse que o líder palestino tinha afirmado à delegação palestina na Jordânia que "a coisa mais importante é que nós temos o compromisso pessoal do presidente americano, George W. Bush, para implementar totalmente o 'mapa da paz' da forma que ele está". Os Estados Unidos e Israel afastaram Arafat da frente diplomática, acusando-o de ter fracassado na missão de conter as ações dos militantes palestinos. Arafat tem ficado confinado ao seu quartel-general desde dezembro de 2001, quando Israel determinou uma invasão da Cisjordânia com tanques em represália a uma onda de ataques suicidas. Cerca de 40 mil manifestantes lotaram uma praça no centro de Jerusalém contra as concessões feitas por Israel. - O que você (Sharon) está fazendo é criando um monstro do terror - discursou o ministro da Habitação israelense, Effin Eitam, à multidão. Fontes israelenses afirmam que a segurança de Sharon foi reforçada por possíveis ameaças de extremistas judeus. Grupos palestinos radicais também rejeitaram o apelo de Abu Mazen pelo fim da Infifada. O ministro da Defesa de Israel, Shaul Mofaz, deve se reunir com seus assessores sobre um cronograma de implementação do "mapa da paz", segundo a rádio oficial de Israel. A emissora comunicou ainda que as medidas para desmontar os assentamentos irregulares devem começar a ser tomadas já na semana que vem. O grupo ativista israelense antiassentamentos Paz Já disse que há mais de cem assentamentos avançados na Cisjordânia, onde os palestinos querem criar o seu Estado. Segundo a imprensa israelense, apenas 15 devem ser removidos.
Arafat não acredita no fim de assentamentos judaicos
Quinta, 05 de Junho de 2003 às 21:11, por: CdB