O presidente palestino, Yasser Arafat, prometeu exercer o controle sobre a Faixa de Gaza após a retirada israelense e combater os militantes que violarem a lei, disse um jornal de Israel nesta sexta-feira. O Haaretz entrevistou Arafat nesta semana e disse que ele "definitivamente" compreende que Israel deve preservar sua condição de Estado judeu sob qualquer acordo eventual.
O jornal liberal disse que essa é a primeira vez que Arafat faz um comentário desse tipo. Mas o presidente não disse quantos refugiados palestinos deveriam, em caso de acordo, ser autorizados a regressar ao território hoje ocupado por Israel.
Arafat disse que sua Autoridade Palestina vai controlar a Faixa de Gaza depois da retirada, e notou que a polícia palestina vem mantendo a paz em Belém desde que as tropas israelenses se retiraram dos arredores dessa cidade da Cisjordânia, no ano passado.
Questionado sobre a possibilidade de combater militantes do Hamas em Gaza, Arafat disse que agiria "mesmo contra alguém da Fatah sua própria facção que vá contra a lei". O governo de Israel acusa Arafat de fomentar a violência. Ele nega.
Arafat deu a entrevista na terça-feira na deteriorada sede do seu governo, na sitiada cidade de Ramallah, onde ele está entrincheirado há cerca de dois anos.
O Egito já se ofereceu para reformar as forças palestinas de segurança, de forma a preencher um vazio em Gaza quando Israel remover seus colonos de lá.
O primeiro-ministro Ariel Sharon pretende desativar todos os 21 assentamentos judaicos na Faixa de Gaza e 4 dos 120 na Cisjordânia, regiões capturadas na guerra de 1967. Os palestinos dizem que a manutenção de parte da Cisjordânia em mãos israelenses inviabiliza a criação de seu Estado.
Por causa de um acordo com seus ministros radicais, Sharon adiou até março de 2005 a votação sobre a retirada, que ele pretende completar até o final do ano que vem.
Agindo a partir de Gaza, os Comitês de Resistência Popular, uma coalizão de militantes, lançou um míssil nesta sexta-feira contra Sderot, cidade no sul de Israel que é alvo frequente de ataques desse tipo.
O míssil atingiu o jardim de uma casa, estilhaçando vidraças e danificando um muro de contenção, segundo uma fonte militar e uma testemunha. Uma mulher foi hospitalizada em estado de choque.