Maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo, a Aracruz conseguiu, no primeiro trimestre, praticamente reverter o bilionário prejuízo sofrido no final de 2008 após negociações com bancos sobre a dívida gerada com operações de derivativos. A companhia encerrou o período de janeiro a março com prejuízo líquido de R$ 1,7 milhão, contra perda de quase R$ 3 bilhões no quarto trimestre e lucro de R$ 168 milhões um ano antes.
A empresa anunciou que encerrou na véspera negociações com os bancos credores da dívida com derivativos, responsável pelo rombo nas contas da empresa sofrido no quarto trimestre, nos mesmos termos acertados anteriormente. Com isso, a dívida líquida da companhia no final de março somava R$ 9,5 bilhões contra R$ 3,028 bilhões um ano antes. O prazo médio é de cerca de quatro anos e meio, sendo o maior compromisso ocorrendo em 2013, de R$ 1,66 bilhão, já para os nove meses deste ano, ocorrem vencimentos de R$ 741 milhões.
A companhia registrou geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 247,4 milhões, queda de 32% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado e de 38% ante os três últimos meses de 2008. A margem Ebitda frente ao início do ano passado caiu 14 pontos percentuais, para 29%.
O desempenho operacional foi pressionado por queda no preço médio da celulose nos períodos, que minimizou avanço nas vendas em volume. Enquanto a Aracruz apurou receita líquida de R$ 853,5 milhões no primeiro trimestre, avanço ligeiro de 1% sobre o mesmo período do ano passado, as vendas em volume de celulose subiram 11%, para 815 mil toneladas. Em termos de produção de celulose, a companhia registrou queda de 9% frente ao primeiro trimestre de 2008, para 722 mil toneladas, em função das paradas na unidade de Barra do Riacho.
"A demanda global por eucalipto vem demonstrando melhoria ao longo do primeiro trimestre de 2009, com um aumento de 12% na comparação com o mesmo período de 2008", informa a Aracruz em seu balanço. Apesar disso, a empresa afirma que "ainda é cedo para ter uma visão mais clara" sobre o mercado mundial este ano.
O resultado financeiro líquido registrou despesa de R$ 50,3 milhões ante receita de R$ 14,6 milhões no mesmo período de 2008 e de despesas R$ 3,48 bilhões no quarto trimestre.