O impacto negativo das perdas com derivativos fizeram com que a maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo, Aracruz, informasse nesta sexta-feira prejuízo líquido de R$ 2,982 bilhões no quarto trimestre, ante resultado positivo de R$ 187,3 milhões um ano antes. A companhia encerrou 2008 com prejuízo líquido de R$ 4,194 bilhões, contra ganho de R$ 1,044 bilhão em 2007.
Diante do resultado, a empresa anunciou em seu balanço a decisão de revisar os investimentos para os próximos anos. "Devido aos fatos recentes e em linha com a estratégia da companhia de preservar sua liquidez, as projeções de investimentos para 2009 e os anos seguintes foram revisados", informa o demonstrativo. Assim, os investimentos regulares, que não incluem projetos de expansão como as da unidade de Guaíba e a da Veracel, serão de US$ 196 milhões (cerca de R$ 420 milhões) em 2009 e US$ 281 milhões (ou R$ 600 milhões) em 2010 e 2011.
Em março, a Aracruz já havia informado a decisão, tomada em conjunto com a sócia Stora Enso, de postergar a expansão da Veracel por pelo menos um ano. "Dessa forma, serão cancelados os investimentos programados para 2009 em compra de terras, formação de florestas e estudo de viabilidade", disse a empresa. A parte da Aracruz correspondia a R$ 75 milhões.
A empresa, que está se integrando com a Votorantim Celulose e Papel, teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) (incluindo 50% do resultado da Veracel) de R$ 397,3 milhões nos últimos três meses de 2008. Um ano antes, esse resultado havia sido de R$ 428,8 milhões. A margem Ebitda entre os períodos passou de 45% para 43%.
A companhia afirma ter eliminado 97% da exposição com derivativos em novembro e fechado acordo com bancos em 19 de janeiro para reestruturação da dívida, em um prazo de nove anos.