Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Arábia vai reformar locais sagrados após tragédia com peregrinos

Segunda, 02 de Fevereiro de 2004 às 08:12, por: CdB

A Arábia Saudita criou um comitê de alto nível para reestruturar o local mais sagrado do Islã após a morte de 244 muçulmanos durante a peregrinação anual a Meca, chamada haj.

A agência de notícias Saudi Press Agency (SPA) disse na segunda-feira que o rei Fahd emitiu um decreto ordenando a formação do Comitê de Desenvolvimento de Meca e Medina, que será liderado por ministros de alto escalão e príncipes do local de nascimento do Islã.

As 244 vítimas, a maioria da Indonésia, Paquistão e outros países da Ásia, foi pisoteada e esmagada durante o clímax do haj -- o ritual de apedrejamento do diabo, que já registrou desastres similares no passado.

A tragédia aconteceu quando algumas pessoas caíram em meio à multidão de 2 milhões que se movimentava da Ponte Jamarat, em Mena, para jogar pedras em pilares que representam o diabo. A tragédia aconteceu no primeiro dia do Eid al-Adha, jejum muçulmano para comemorar a disposição de Abrão de sacrificar seu filho Ismael sob a ordem de Deus.

Segundo a agência, o comitê projetará um novo desenho para Mena e outros locais sagrados. Ele será financiado e terá apoio de todos os ministérios do reino.

Autoridades disseram que tentaram evitar tumultos neste ano pedindo para as pessoas realizarem o ritual em horários diferentes.

- Havia mais de 400 metros de pessoas se empurrando na mesma direção, o que resultou no colapso dos que estavam perto da área de apedrejamento e dos que vinham atrás. Isso levou ao pânico - afirmou a repórteres o ministro de Assuntos de Peregrinação, Iyad bin Amin Madani, depois do incidente.

Rejeição x Violência

Muitos muçulmanos acreditam que a morte durante o haj, uma das maiores manifestações de fé e unidade do mundo, é um presente de Deus, que os livra de pecados.

Outros 272 peregrinos morreram de causas naturais durante o haj, que todos os muçulmanos com condições precisam fazer pelo menos uma vez na vida.

A maioria dos peregrinos continuou com o ritual, apesar das mortes. Eles deverão voltar a Mena nesta manhã para a rodada final de apedrejamento do pilar que, para os muçulmanos, representa o local onde o diabo apareceu para o patriarca bíblico Abrão.

Os peregrinos voltarão então para Meca para o ritual final no Kaaba, estrutura em forma de cubo na Grande Mesquita de Meca, para onde todos os muçulmanos do mundo se voltam quando rezam.

O haj, que dura cinco dias, deverá terminar na terça-feira e os peregrinos começam a deixar o local um dia depois.

O haj registra tumultos com mortos todos os anos. Em 1990, 1.426 peregrinos foram esmagados e morreram em um túnel para pedestres em Meca. No ano passado, 14 pessoas morreram.

Autoridades sauditas adotaram fortes precauções de segurança neste ano. Foram enviados milhares de soldados para evitar ataques da rede Al Qaeda, apontada como culpada pelos atentados no reino e pelos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Em comunicado recente creditado à Al Qaeda, a rede prometeu ''livrar a península arábica de infiéis''.

Forças de segurança sauditas prenderam sete suspeitos nesta semana, afirmando que estavam planejando um ``ato terrorista''.

Em seu sermão de Eid al-Adha, o imã da Grande Mesquita, Abdulrahman al-Sudeis, pediu para os muçulmanos rejeitarem a violência.

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