Oa árabes comemoraram a prisão do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, mas se mostraram incomodados com a imagem do homem que foi considerado símbolo do desafio árabe aos EUA detrás das grades.
Alguns temem que a captura de Saddam impulsione a popularidade do presidente George W. Bush, homem que, na opinião de muitos árabes, lançou uma campanha contra eles e muçulmanos após os atentados de 11 de setembro. Mas outros dizem que a luta contra a ocupação no Iraque continuará.
- É uma boa notícia mas esperávamos que os iraquianos tivessem capturado Saddam, não tropas americanas, porque isso dará a Bush um impulso nas próximas eleições - disse Hussein Jafar, um vendedor iraquiano.
- Queria apenas que não tivessem sido os americanos. Não gosto de Saddam mas como árabe não gostaria de vê-los (americanos) arrastando Saddam por Bagdá - disse o estudante sírio Abdel Nassar.
Para outros, a captura foi uma notícia ruim. Saddam pode ter sido visto como um ditador que oprimia seu povo, mas muitos ainda o vêem como líder árabe que desafiou EUA e Israel.
- Claro que é uma má notícia. Para nós, Saddam era um símbolo de desafio aos planos dos EUA na região. E apoiamos qualquer pessoa que desafie o domínio americano - disse Azzam Hneidi, um islamita membro do Parlamento da Jordânia.
Em Gaza e na Cisjordânia, onde palestinos lutam contra a ocupação israelense, alguns estavam num humor sombrio. Saddam era conhecido por enviar cheques de milhares de dólares às famílias de terroristas suicidas que atacavam Israel.
- É um dia negro na História. Digo isso não só porque Saddam é um árabe, mas porque era o único homem que dizia não à injustiça dos EUA no Oriente Médio - disse Fadiq Husan, um motorista de táxi de 33 anos, em Ramallah.
Mas no Kuwait, ocupado pelo Iraque entre 1990 e 1991, a reação foi de alegria. Carros buzinavam ao longo da avenida beira-mar que durante a ocupação ficou apinhada de tanques iraquianos.
- Estamos tão felizes que ele foi preso. O povo do Iraque sofreu lavagem cerebral pelo regime de Saddam. Eles precisam de mais 20 anos para tomar consciência de que os kuwaitianos não têm culpa do sofrimento iraquiano - disse Mohammed al-Hudieb.