Rio de Janeiro, 24 de Abril de 2026

Árabes são convocados a manter doações à Palestina

Os países árabes foram convocados a colaborar com recursos para a Palestina, diante das ameaças de suspensão da ajuda humanitária àquele país. O governo de Israel ameaçou, nesta terça-feira, como resposta à surpreendente vitória eleitoral do grupo islâmico Hamas, que pretende suspender a transferência dos impostos recolhidos em nome da Autoridade Palestina, como forma de boicote à opção dos radicais pela resistência armada. (Leia Mais)

Terça, 31 de Janeiro de 2006 às 08:39, por: CdB

Os países árabes foram convocados a colaborar com a Palestina, diante das ameaças divulgadas nesta terça-feira por Israel, que promete congelar o dinheiro dos impostos pagos por palestinos nos territórios ocupados. Segundo a agëncia estatal síria Sana divulgou, nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores daquele país, Farouq al-Shara, propõe ao mundo árabe que mantenha as doações ao novo governo palestino, para contrapor a falta dos recursos causada pelo boicote dos países ocidentais.

- Nossa decisão visa manter o apoio dos países árabes ao povo palestino, como forma de respeito ao desejo expresso nas urnas e às escolhas democráticas daquela nação - disse al-Shara.

Ameaça

O governo de Israel ameaçou, nesta terça-feira, como resposta à surpreendente vitória eleitoral do grupo islâmico Hamas, que pretende suspender a transferência de impostos recolhidos em nome da Autoridade Palestina. O ministro da Economia palestino, Mazen Sonnogrot, criticou o que chamou de uma "decisão irresponsável e grave" e disse que ela teria "consequências sociais e econômicas negativas para os palestinos". Mushir al-Masri, porta-voz do Hamas, acusou Israel de "tentar roubar dinheiro dos palestinos".

O quarteto de negociadores para a paz no Oriente Médio, formado por EUA, Organização das Nações Unidas (ONU), União Européia (UE) e Rússia, afirmou na segunda-feira que a comunidade internacional continuaria a ajudar o governo interino do presidente Mahmoud Abbas, ao menos até que o Hamas formasse uma nova administração. Os negociadores disseram que o grupo islâmico precisa rejeitar a violência e reconhecer a existência de Israel sob pena de ficar sem ajuda nenhuma no futuro.

O Estado judaico recolhe os impostos alfandegários em nome dos palestinos e entrega esse dinheiro à Autoridade Palestina. A próxima transferência de recursos deveria acontecer na quarta-feira, dia 1o. de fevereiro. O montante coletado gira, usualmente, em torno de 50 milhões de dólares por mês (neste mês, o valor seria de 55 milhões), e os salários de cerca de 140 mil funcionários palestinos são pagos em grande parte com esse dinheiro.

- O primeiro-ministro interino Olmert (Ehud Olmert) determinou uma revisão da política para se saber se as transferências automáticas de dinheiro devem continuar. Essa revisão está sendo realizada e ainda não chegamos às conclusões finais. É mais provável que as transferências não continuem -  afirmou Mark Regev, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

BOICOTE AO GOVERNO DO HAMAS

No domingo, Olmert disse que Israel deveria boicotar um governo palestino do qual o Hamas participasse. O grupo islâmico derrotou a tradicional facção Fatah na eleição parlamentar de quarta-feira passada. Até agora, os líderes da Fatah rejeitaram participar de uma coalizão de governo ao lado do Hamas, que venceu o pleito apoiando-se em uma plataforma de combate à corrupção, em sua rede de assistência social e em seus atos de resistência contra Israel.

Regev não soube dizer quanto tempo o Estado judaico levaria reavaliando a política de transferência de impostos para a Autoridade Palestina. Caso os pagamentos sejam suspensos, o governo palestino pode sofrer um colapso financeiro. Os níveis de desemprego nos territórios palestinos são altos, cerca de 22 por cento, e metade da população palestina vive na pobreza. Na Faixa de Gaza, muitos palestinos sobrevivem com uma média de 2 dólares por dia.

O Hamas classificou de "chantagem" a exigência do quarteto de negociadores para que renuncie à violência contra Israel sob o risco de perder a ajuda. O grupo também sugeriu que pode procurar por fontes alternativas de renda no mundo árabe e além dele.

- A decisão do quarteto foi injusta e significa uma punição para nosso povo, que usou sua liberdade ao realizar uma escolha em uma eleição democrática e livre -  disse Masri.

Jihad Al Wazir

Tags:
Edições digital e impressa