Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2026

Árabes rejeitam política unilateral de Israel

Líderes árabes reunidos no Sudão nesta quarta-feira mostraram-se decepcionados com a vitória, nas eleições gerais israelenses, de um partido comprometido com a adoção de medidas unilaterais. Os 22 países-membros da Liga Árabe concluíram uma cúpula de dois dias na capital sudanesa com uma rejeição unânime dos planos de Israel. (Leia Mais)

Quarta, 29 de Março de 2006 às 10:59, por: CdB

Líderes árabes reunidos no Sudão nesta quarta-feira mostraram-se decepcionados com a vitória, nas eleições gerais israelenses, de um partido comprometido com a adoção de medidas unilaterais. Os 22 países-membros da Liga Árabe concluíram uma cúpula de dois dias na capital sudanesa com uma rejeição unânime dos planos de Israel. E o Iraque e a Arábia Saudita acrescentaram um tom de rancor nos últimos momentos da reunião, que contou com a presença de poucos chefes de Estado.

O ministro das Relações Exteriores iraquiano, Hoshiyar Zebari, acusou os vizinhos árabes de seu país de não evitar a infiltração de insurgentes e de permitir que os meios de comunicação criassem uma atmosfera favorável aos ataques de rebeldes contra as forças dos EUA e do Iraque. A Arábia Saudita recusou a oferta de ser palco da cúpula do próximo ano e sugeriu que o Egito organizasse o evento. O governo saudita não apresentou motivos para sua decisão. Os chefes de Estado árabes disseram continuarm comprometidos com uma iniciativa de 2002 que oferece a Israel paz e relações normalizadas em troca da retirada de terras ocupadas na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os dirigentes prometeram continuar com o apoio financeiro, de 55 milhões de dólares mensais, para a Autoridade Palestina e exortaram outros doadores a manter o envio de verbas mesmo depois de o governo liderado pelo Hamas tomar posse. Os israelenses que foram às urnas na terça-feira ignoraram a oferta de paz dos árabes e deram a vitória ao partido Kadima, do primeiro-ministro interino Ehud Olmert. O líder prometeu anexar partes da Cisjordânia e definir unilateralmente as fronteiras de Israel se os militantes palestinos não depuserem suas armas.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o resultado das eleições não faria diferença se Olmert não reformar suas políticas.

- Esse resultado não mudará nada enquanto a agenda de Olmert não mudar e ele não abandonar a questão dos 'acordos unilaterais - afirmou Abbas a repórteres.

'Fantasia'

O ministro das Relações Exteriores sírio, Walid Al Moualem, disse que a vitória do Kadima era esperada e que o mais importante era observar o tipo de coalizão que o partido formaria e "que rumo adotaria, pacífico ou não".

- A bola está com os israelenses porque, durante anos desde o lançamento de Madri (da conferência de paz de 1991 realizada na capital espanhola), Israel, com todos os seus partidos governistas, colocou obstáculos à paz - acrescentou.

O presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que "não é compreensível aceitar retiradas unilaterais realizadas segundo o capricho de Israel. Isso não funcionará, mas apenas piorará as coisas".

O chanceler Abdelelah Al Khatib, da Jordânia, um dos dois países árabes que selou tratados de paz com Israel, mostrou-se menos pessimista: "É cedo demais para julgar."

- Esperamos que as eleições contribuam na criação das condições adequadas para a retomada das negociações - disse.

A maior parte dos chefes de Estado deixou a cúpula na quarta-feira de manhã. E dez deles, entre os quais o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e o rei Abdullah, da Arábia Saudita, nem mesmo participaram do evento. A ausência de vários dirigentes decepcionou o governo sudanês, que esperava ver, no evento, mostras de solidariedade contra as críticas que vem sofrendo devido à forma como enfrenta os conflitos na região de Darfur.

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