Rio de Janeiro, 13 de Agosto de 2026

Árabes descobrem força popular e cobram liberdade e democracia

Quarta, 16 de Fevereiro de 2011 às 14:15, por: CdB

Contagiosa, como era previsível, a febre por democracia e liberdade alastra-se pelo mundo árabe e a cada dia abala e ameaça mais ditaduras e se torna cada vez mais forte.

Decorrência direta da queda dos regimes de exceção, na Tunísia há um mês e no Egito há quatro dias, a rebelião popular atinge esta semana e mantém conflagrados politicamente o Iêmen, o Barhein, a Argélia, o Irã, a Líbia, e agora ainda mais o Iraque. Este último vive convulsionado e mergulhado em violência desde que os Estados Unidos o invadiram dia 20 de março de 2003.

Encorajadas pelas vitórias dos movimentos tunisianos e egípcios, as manifestações de protesto contra os governos ampliam-se por estes países, e tornam-se permanentes com as populações voltando às ruas e praças diariamente.

Mortos já se contam às centenas


Mas, a repressão também volta e já se contam às centenas o número de mortos - a ONU reiterou esta semana que foram 165 no Tunísia e mais de 300 no Egito. O número é ampliado por mais mortes ocorridas em confrontos ontem e hoje no Iêmen, Barhein e no Iraque.

A violência da repressão às manifestações populares é latente. Apenas no Egito, segundo precisou o Ministério da Saúde do país, na rebelião popular que derrubou a ditadura de 30 anos de Hosni Mubarak foram 365 mortos e 5,5 mil feridos durante 18 dias de protestos.

No fim de semana ocorreram grandes manifestações de protesto pró-derrubada dos governos da Argélia e do Iêmen. Neste país elas continuam até agora. Hoje, pelo 6º dia consecutivo, manifestantes saíram às ruas clamando pela saída de Ali Abdullah Saleh, presidente do país há 32 anos. Três pessoas morreram e quatro ficaram feridas nos choques com a polícia.

Contra ditadores, primeiro-ministros...


A liberdade de manifestação virou questão de honra para os povos árabes, em sua maioria massacrados há anos por impiedosas e violentas ditaduras. Nesta semana (2ª feira) milhares de iranianos saíram às ruas da capital, Teerã, e da cidade de Isfahan, para comemorar a derrubada da ditadura de três décadas do general Hosni Mubarak, do Egito.

Resultado: mais uma vez muita repressão, violência e dois mortos, por parte da polícia do presidente Mahmoud Ahmadinejad, o chefe do Estado teocrático iraniano que embora tenha apoiado a revolta popular no Egito, reprime a oposição em seu país.

Já na Líbia, outra manifestação - que não se volta diretamente contra o ditador Muammar Kadhafi (há 42 anos no poder) - pede a derrubada do primeiro-ministro Baghdadi al-Mahmoudi. Centenas de pessoas saíram às ruas pedindo a libertação de Fethi Tarbel, militante de direitos humanos que trabalha com famílias de presos na conhecida penitenciária de Abu Salim.

 

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